A História

Não faltam números que mostram a evolução brasileira nos Jogos Olímpicos de Inverno. Você pode encontrar alguns deles no infográfico abaixo. Desde a primeira participação já se passaram 22 anos - praticamente um quarto de século com pessoas que se dedicam a essa causa.  Números, porém, contam apenas parte da história, geralmente aquela mais objetiva e fria.

Tanto que a primeira participação brasileira em Jogos de Inverno, na simpática cidade francesa de Albertville, em 1992, já trazia na bagagem nada menos do que 25 anos de uma certa tradição brasileira no esqui alpino. Isso mesmo! Em 1966 o Brasil já enviara representantes para a disputa do Mundial da modalidade. 

O que vimos a partir de então foi gerações de atletas largarem sonhos, família, amigos e até mesmo outras profissões apenas para levar a bandeira do Brasil em lugares nunca antes imaginados e quebrando preconceitos fora, e dentro, do país. 

O desempenho ainda está longe das primeiras posições, mas para os nossos heróis de inverno isso é o que pouco importa. Pois eles são heróis humanos, com virtudes, fraquezas e limitações. E mesmo assim, superam todos os obstáculos para atingirem seus sonhos. Assim, com erros e acertos, se transformam num dos principais exemplos de olimpismo por aqui. 



Jogos Olímpicos de Albertville - 1992

Delegação brasileira na Abertura de 1992 (divulgação/CBDN)
Com ajuda do Solidariedade Olímpica, o Brasil conseguiu enviar seus primeiros sete representantes na edição realizada na França. Christian Lothar Munder, Hans Egger, Fábio Igel, Marcelo Apovian, Sergio Schuler, Robert Dellof e Evelyn Schuler (a única mulher) foram os representantes tupiniquins e os primeiros heróis gelados do país. 

O desempenho foi bom, se levarmos em conta que todos foram convidados e não tiveram índice olímpico.. Evelyn Schuler, por exemplo, terminou em 40º nas provas do slalom gigante e super gigante (44 e 48 participante ao todo, respectivamente). Christian Lothar Munder participou de quatro provas e conseguiu terminar o super gigante em 55º (num total de 93 participantes). Em nenhuma das provas os brasileiros foram os últimos - apenas Fábio Igel, justamente a maior esperança, não conseguiu largar na sua única prova, o slalom gigante. Veja os números:

Christian Lothar Munder - 41º no downhill, 50º no super combinado e 55º no slalom super gigante
Sergio Schuler - 64º no slalom gigante, 75º no super gigante e desclassificado no slalom
Evelyn Schuler - 40ª no slalom gigante e 40ª no slalom super gigante
Hans Egger - 48º no slalom, 86º no super gigante e abandonou o slalom gigante
Marcelo Apovian - 73º no slalom gigante, 76º no super gigante e desclassificado no slalom
Robert Scott - 63º no slalom
Fábio Igel - não largou no slalom gigante

Jogos Olímpicos de Lillehammer - 1994

Christian Lothar Munder (Reprodução/Internet)
Sem ajuda olímpica e com os esportes de inverno ainda ignorados completamente pelos investidores brasileiros, o país só conseguiu levar um atleta para a edição disputada na Noruega. Christian Lothar Munder foi o remanescente dois anos depois, na primeira Olimpíada de Inverno disputada sem a "concorrência" da de verão.

Nascido no Brasil, mas morando na Alemanha desde os cinco meses, Christian contava com a estrutura europeia para tentar fazer frente aos principais competidores. Ele participou apenas do super combinado e ficou na 50ª posição, na frente de outros cinco atletas. 

Jogos Olímpicos de Nagano - 1998

Marcelo ao lado de Nuzman, em 1998 (Reprodução)
Após quatro anos, mais uma vez o Brasil enviou apenas um representante para os Jogos de Inverno. Marcelo Apovian, outro remanescente da turma de 1992, conseguiu vaga no esqui alpino após contar com apoio do COB e do COI - o primeiro pagou sua estadia nos EUA por três meses para treinar e competir, e o segundo custeou sua passagem para os Jogos. 

Reconhecido como um dos principais atletas de inverno de um país sem neve, Marcelo não fez feio. No slalom super gigante ficou na 37ª posição, a melhor da história até então! 

Jogos Olímpicos Salt Lake City - 2002

Equipe de bobsled do Brasil (Reprodução)
O grande salto de qualidade veio apenas em 2002, ainda que por acaso. Foram 10 atletas e, pela primeira vez, o Brasil levou atletas em modalidades de gelo, com o bobsled e luge, e ainda incluiu o esqui cross-country no esporte com neve.  

A CBDN, principalmente, já havia iniciado o trabalho a longo prazo que visava estrear uma modalidade por edição. Mesmo assim, houve uma pitada de sorte: o luge classificou dois atletas graças aos feitos individuais de Ricardo Raschini nos EUA e Renato Mizoguchi, no Japão. O time de bobsled, que bateu na trave em 1998, conseguiu se regulamentar e conquistou a vaga. Mirella Arnhold se transformou na primeira mulher a conseguir o índice olímpico e o "lazer" de Franziska Becskehazy e Alexander Penna se transformou em algo sério no cross-country. O melhor desempenho do bobsled, que conquistou o melhor resultado geral até então! Veja o desempenho:

Mirella Arnhold - 48ª no slalom gigante
Nikolai Hentsch - desclassificado no slalom gigante
Franziska Becskehazy - 57ª nos 10km estilo clássico
Alexander Penna - 57º nos 50 km estilo clássico
Renato Mizoguchi - 46º no luge individual
Ricardo Raschini - 47º no luge individual
Bobsled masculino - 27º na disputa do quarteto  

Jogos Olímpicos Turim - 2006


Em 2006, a CBDN conseguiu mais uma estreia! E que estreia! Isabel Clark (foto) competiu no snowboard e conseguiu nada menos do que a nona colocação no snowboardcross! Ainda hoje é o melhor desempenho da história do país! 

Com praticamente a mesma base, o Brasil contou com nove atletas. O luge não enviou atletas por conta de uma lesão grave com o Renato, mas Jaqueline Mourão, no cross-country, se transformou na primeira atleta feminina a competir nos Jogos de Verão e de Inverno. Veja os resultados brasileiros: 

Mirella Arnhold - 43ª no slalom gigante
Nikolai Hentsch - 30º no slalom gigante, 43º no downhill e desclasssificado no combinado
Jaqueline Mourão - 67ª nos 10 km estilo livre
Hélio Freitas - 92º nos 15km estilo livre
Isabel Clark - 9ª colocada no snowboardcross
Bobsled masculino - desclassificado  

Jogos Olímpicos Vancouver - 2010


Sem a presença dos esportes de gelo, a delegação brasileira voltou a ter um número reduzido de atletas. Apenas cinco, todos da CBDN. Isabel Clark e Jaqueline Mourão (foto) continuaram, mas uma nova geração despontou no esqui alpino.

Jhonatan Longhi e Maya Harrisson foram os responsáveis pelos principais resultados do país. Ele ficou na 56ª colocação dentre 103 competidores no slalom gigante. Ela foi a 48ª de 87 atletas no slalom. Confira:


Maya Harrisson - 48ª no slalom
Jhonatan Longhi - 56º no slalom gigante 
Jaqueline Mourão - 67ª nos 10km estilo livre
Leandro Ribela - 90º nos 15 km estilo livre
Isabel Clark - 19ª no snowboardcross

Jogos Olímpicos de Sochi - 2014


O trabalho a longo prazo da CBDN e o ressurgimento da CBDG fez o Brasil ter sua maior delegação da história: 13 atletas presentes em sete modalidades, um recorde absoluto. Houve estreia na patinação no gelo (com Isadora Williams), no bobsled feminino, no biatlo e no esqui aerials, com Josi Santos e após um traumático acidente com Lais Souza. 

O melhor resultado foi de Isabel Clark, que ficou na 14ª posição geral do snowboardcross. Outro destaque foi a 39ª posição de Maya Harrisson no slalom, o primeiro Top 40 do esqui alpino feminino do Brasil! Veja as classificações finais!

Jaqueline Mourão (biatlo) - 76ª no individual 15km e 77ª no sprint 7,5 km.
Jaqueline Mourão (cross-country) - 65ª no sprint estilo livre
Leandro Ribela (cross-country) - 80º no sprint estilo livre
Maya Harrisson (esqui alpino) - 39ª no slalom e 54ª no slalom gigante
Jhonatan Longhi (esqui alpino) - 58º no slalom gigante e desclassificado no slalom
Josi Santos (esqui livre) - 22ª no aerials feminino
Isabel Clark (snowboard) -  14ª no snowboardcross
Isadora Williams (patinação artística) - 30ª no individual
Bobsled feminino - 19ª na disputa de duplas
Bobsled masculino - 28º no quarteto
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