Falta de neve faz calendário de esqui cross passar por mudanças

Funcionário tenta arrumar pista de esqui cross em Val Thorens, sem sucesso (Reprodução)

Esta semana deveria marcar a estreia da temporada da Copa do Mundo de Esqui Livre Cross. Pois é, deveria. A falta de neve e a temperatura elevada nas regiões dos Alpes na Europa fizeram com que a primeira e também a segunda etapa da competição fossem canceladas, resultando em preocupação e correria para a FIS (Federação Internacional de Esqui). 

A entidade, responsável pelo desenvolvimento do esporte, teve que alterar o calendário previsto para a temporada 2018/2019. As provas em Arosa, na Suíça, foram antecipadas para os dias 16 e 17 de dezembro e, agora, representam o início do torneio. As corridas em Innichen, na Itália, também foram adiantadas para garantirem a disputa do Alps Tour ainda neste mês. 

A abertura deveria ocorrer em Val Thorens, na França, neste fim de semana. Depois, Montafon, na Áustria, receberia a segunda etapa entre 13 e 15 de dezembro. Em um período de uma semana, o comitê organizador teve que decidir pelo cancelamento após consultas meteorológicas nos dois locais. A etapa inaugural da Copa do Mundo de Snowboard Cross, que aconteceria em Montafon, também foi cancelada.

"A situação da neve na montanha era impressionante à primeira vista. Para esquiar, as encostas estão em boas condições. Mas para construir a pista estamos perdendo quantidade significativa de neve. Devido às temperaturas previstas nos próximos dias, não é possível construí-la de forma adequada", explica Rupert Steger, marketing da ÖSV e parceiro da FIS. 

Diferentemente de outros adiamentos, normalmente por forte nevasca ou chuva, nesta o que chama a atenção é justamente a falta de neve. A região dos Alpes está com temperaturas elevadas em relação à média para este período do ano - o que faz com que nevascas sejam cada vez mais raras. Sem neve suficiente, não há como construir um percurso com segurança. 

O fato também liga um sinal de alerta não só para os esportes de inverno, como também para todo o programa olímpico. A preocupação com o Meio Ambiente e Sustentabilidade é um dos pilares da Agenda 2020, projeto de mudanças proposto pelo COI. Há a preocupação real de que o aquecimento global possa comprometer o desenvolvimento de algumas modalidades (o colega Marcelo Laguna trouxe essa preocupação com os Jogos Olímpicos de Verão de 2020). 

No caso específico dos esportes de inverno, a relação com o clima é fundamental. A grande maioria das atividades depende do clima frio nas montanhas para existir. Sem neve não há disputa. Ainda que as principais competições já utilizem neve artificial, ainda assim a base das pistas é formada pela neve que cai dos céus - além de ser um processo bem mais dispendioso. Com a Terra aquecendo ano a ano, alguns esportes realmente correm o risco de extinção. 

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