Brasil conquista duas medalhas no esqui cross-country paralímpico

Cristian Ribera, à direita, no pódio da Copa do Mundo de Esqui Cross-Country Paralímpico (Kimmo Rauatmaa)

Esse é um daqueles dias que ficará marcado para sempre na história dos esportes de inverno do Brasil. O país conquistou não apenas uma, mas duas medalhas na etapa de abertura da Copa do Mundo de Esqui Cross-Country paralímpico com Cristian Ribera e Aline Rocha. As provas aconteceram em Vuokatti, na Finlândia, nessa quarta-feira, 12 de dezembro. 

São as primeiras medalhas brasileiras na elite da modalidade paralímpica de inverno, reforçando o sucesso do esporte no planejamento estratégico da CBDN e do CPB (Comitê Paralímpico Brasileiro). Além disso, o país está participando da competição com uma delegação recorde de cinco atletas em três das seis categorias disputadas. 

O melhor desempenho foi de Cristian Ribera na prova de 7,5km em técnica clássica no Sitting (para cadeirantes). Ele terminou na terceira posição com o tempo de 23min35seg4 e incríveis 13.13 pontos. O vencedor foi o norte-americano Daniel Cnossen, dono de duas pratas e um bronze em PyeongChang, com 23min05seg1. Taras Rad, da Ucrânia, foi o segundo com 23min19seg2.

Robelson Lula, também presente na categoria Sitting, foi o segundo melhor atleta do país ao terminar na 19ª posição em sua estreia em competições internacionais com 28min34seg1. Guilherme Rocha, outro brasileiro na disputa, foi o 23º com 31min45seg7.  

"Eu ainda estou em êxtase com o resultado da minha prova. Nem acredito que fui tão forte ao ponto de alcançar o pódio. Eu consegui a primeira medalha internacional para o nosso país, numa Copa do Mundo, nesse esporte que eu amo tanto", explica Cristian, que detém a melhor marca do país nos Jogos Paralímpicos ao terminar em sexto na prova de 15km. 

Pouco tempo depois, foi a vez de Aline Rocha fazer história para o país. Ela também conseguiu a terceira posição e subiu ao pódio na prova de 5km em técnica clássica. A brasileira completou o percurso em 19min08seg6 e 80.32 pontos. Birgit Skarstein, da Noruega, venceu com 16min53seg0 e  a alemã Andrea Eskau, dona de três pratas em PyeongChang, foi a segunda com 17min13seg2. 

Aline Rocha também conquistou bronze em Vuokatti (Kimmo Rauatmaa)

"Olhei para o painel de resultado várias vezes depois que a prova terminou. Estava pensando se poderia mudar, mas não, meu nome continuava como terceiro lugar. Foi uma alegria imensa", vibrou a terceira colocada. 

Já Thomaz Moraes foi o único representante do Brasil na categoria Standing e não fez feio. Estabeleceu novo recorde nacional e, pela primeira vez, terminou no Top 20 em uma prova da competição. Ele foi o 16º com 32min17seg0. O vencedor foi Mark Arendz, do Canadá, com 27min02seg4.

Essas não foram as primeiras medalhas do Brasil na elite do esporte paralímpico de neve. O primeiro pódio foi com o rider André Cintra. Em 2015, no primeiro evento da Copa do Mundo em que houve a criação da categoria LL1 (para amputados acima do joelho), ele alcançou a medalha de bronze na disputa do snowboardcross

Contudo, diferentemente daquela ocasião (em que a modalidade ainda buscava atrair mais competidores), os triunfos de Aline Rocha e, principalmente, Cristian Ribera evidenciam o crescimento do país no esqui cross-country paralímpico. Além de contar com novos atletas (está com uma delegação recorde em Vuokatti), a equipe registra um evolução técnica notável.

Os atletas brasileiros conseguiram quebrar os recordes nacionais nas três categorias paralímpicas.  Cristian pulverizou a antiga marca de 52.51 pontos no Distance Sitting, estabelecido por ele próprio em 2017. Aline Rocha estabeleceu a nova pontuação no feminino ao superar os 99.13 pontos dela mesma. Já Thomaz Moraes conseguiu quebrar sua antiga pontuação de 180.12 no Distance Standing.

"Foi um dia sensacional, para ficar na história. Cristian e Aline fizeram excelentes provas e mostraram para todos que realmente é possível disputar com os grandes mesmo treinando a maior parte do tempo no asfalto. Parabéns a toda a equipe que está por trás da preparação deles, estamos no caminho certo", comentou Leandro Ribela, treinador-chefe da equipe brasileira de esqui cross-country paralímpico. 

A etapa de abertura da Copa do Mundo de Esqui Cross-Country paralímpico prossegue nos próximos dias. Nesta quinta-feira, dia 13, acontecem as provas de Distance  em longa distância. Depois, no domingo, os atletas competem nas baterias de sprint

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