Duas cidades seguem na disputa da sede dos Jogos de 2026

Thomas Bach, presidente do COI (Reprodução)

O que parecia ser um processo sem traumas para o Comitê Olímpico Internacional se transformou em um grande problema para a entidade. Em apenas sete meses, o número de cidades interessadas em sediar os Jogos Olímpicos de Inverno de 2026 caiu de sete para duas - e ainda restam mais sete meses até a escolha da vencedora. 

O último local a sair da disputa foi Calgary, no Canadá. Apontada como uma das favoritas no início do processo, a cidade viu o apoio popular se diluir ao longo do tempo. Em novembro, um plebiscito mostrou que 56,4% da população era contrária à realização dos Jogos Olímpicos - ainda que o próprio governo federal tenha dado apoio desde o início. 

O município canadense engrossa a lista de desistências. A primeira foi Sion, na Suíça, que saiu da disputa dois meses depois da abertura do processo de escolha também após um plebiscito. Um mês depois, Graz, na Áustria, resolveu desistir devido à forte oposição do Partido Comunista austríaco. Sapporo, no Japão, resolveu sair para planejar uma candidatura mais robusta em 2030. Já Erzurum, na Turquia, foi descartada pelo próprio COI em outubro por conta do alto custo previsto no projeto. 

Dessa forma, sobram apenas duas candidatadas à sede dos Jogos de Inverno de 2026: Estocolmo, na Suécia, e a candidatura conjunta de Milão e Cortina d'Ampezzo, na Itália. A questão é que ambas também enfrentam problemas e podem sair da corrida - o que seria um vexame histórico para o Movimento Olímpico. 

Estocolmo, por exemplo, segue sem qualquer apoio governamental na empreitada. O governo municipal não pretende financiar o projeto e o poder público federal, recém-eleito, ainda não tomou uma posição sobre o assunto. Para mobilizar a opinião pública, o Comitê Olímpico Sueco nomeou "embaixadores" da candidatura, incluindo multicampeões do país, como Niklas Edin e Anette Norberg (Curling), Charlote Kalla (cross-country), Tomas Gustafson (patinação de velocidade), Anna Holmlund e Sandra Näslund (esqui livre cross), entre outros. 

Já o projeto de Milão e Cortina d'Ampezzo possui apoio dos governos regionais, que prometem financiar o evento, mas ainda necessita de apoio do governo federal italiano. Nem tanto por conta do dinheiro, mas pelo necessário investimento em infraestrutura, como aeroportos, modais de transporte entre as cidades, telecomunicações, vistos, etc. 

Em todo o caso, internamente o COI já trabalha com plano B caso nenhuma cidade sobreviva à disputa da sede dos Jogos de 2026. Uma candidatura norte-americana, prevista para 2030, pode ser antecipada - Denver e Salt Lake City são as duas cidades analisadas pelo Comitê Olímpico norte-americano. Barcelona, na Espanha, também já se colocou à disposição. Até mesmo o Comitê Argentino divulgou interesse em sediar o evento com uma candidatura conjunta de Buenos Aires e Ushuaia. 

Em todo o caso, o estrago na imagem do Comitê Internacional já está feito. Apesar de todas as mudanças propostas por meio da Agenda 2020 e da mudança do processo de escolha, a maioria das cidades segue rejeitando a sede dos Jogos Olímpicos. Passou da hora do Movimento Olímpico rever o processo para voltar a ser um atrativo para a população. 

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