IIHF decide encerrar a disputa do Mundial de Hóquei Inline

Brasil em ação no Mundial de Hóquei Inline da IIHF em 2017: torneio foi extinto pela entidade (Rene Miko)

Porta de entrada para muitos países no hóquei no gelo, a categoria inline sofreu um duro golpe em seu desenvolvimento. A IIHF (Federação Internacional de Hóquei no Gelo), entidade que também possuía projetos de desenvolvimento do esporte nas quadras, decidiu encerrar a disputa do Mundial de Hóquei Inline, que realiza desde 1996.

A medida não foi divulgada oficialmente, mas circula em mensagens do alemão Horst Lichtner, secretário-geral da federação, aos países membros que solicitem informações sobre a próxima edição, em 2019 - as classificatórias, nas quais o Brasil iria participar, deveriam acontecer no fim de 2018, mas nunca tiveram as datas confirmadas.

O Brasil Zero Grau entrou em contato com a IIHF para solicitar mais informações, nas não obteve retorno até a publicação desta matéria.

A IIHF convocou um grupo de trabalho entre setembro e novembro de 2017 para analisar o impacto do hóquei inline no desenvolvimento da modalidade no gelo. Com os resultados desse levantamento em mãos, o Conselho da entidade decidiu de forma unânime encerrar o Mundial já na próxima edição. Ou seja, não organizará mais campeonatos de quadra.

Três razões foram apontadas como justificativas para esta escolha: 1) o investimento financeiro necessário aliado ao pouco retorno aos países membros; 2) a crença de que o boom do hóquei inline, a partir dos anos 1990, já acabou; e 3) a existência de um órgão internacional que já organiza campeonatos mundiais nesse esporte (no caso, a FIRS).

Isso implica uma mudança institucional importante. A partir de agora, o hóquei inline passa a ser gerido apenas pela FIRS (Federação Internacional de Esportes sobre Rodas) - o que acaba impactando países que não possuem pistas de gelo e dependiam dos atletas de quadra para desenvolverem a modalidade.

Na mensagem divulgada, Horst Lichtner reconhece que a decisão afeta nações emergentes. "Estamos ciente do impacto, pois vocês têm pouca experiência no gelo e, portanto, oportunidades limitadas para jogar hóquei no gelo", pontuou o secretário-geral.

No Brasil, por exemplo, o hóquei inline passa a ser gerido apenas pela CBHP (Confederação Brasileira de Hóquei e Patinação), sendo a responsável pela organização de campeonatos nacionais e convocação da seleção para os principais eventos da modalidade. A CBDG, que utiliza os atletas de quadra para montar sua equipe de hóquei no gelo, precisará entrar em acordo com a entidade.

O Brasil no Mundial de Hóquei Inline da IIHF

A seleção brasileira era uma frequentadora assídua do Mundial de Hóquei Inline da IIHF. O país esteve presente em 13 das 20 competições realizadas. A primeira foi em 2000, na quarta edição, e última foi em 2017, na Eslováquia - que entra para a história como o último torneio regido pela Federação Internacional de Hóquei no Gelo. 

A melhor colocação da história dos brasileiros foi em 2001, quando terminaram na oitava colocação da classificação final. Naquela época não existia divisões. A separação entre Elite e Divisão 1 surgiu em 2003, quando o torneio foi expandido para 16 seleções. 

Naquele ano até 2009, o Brasil conquistou seis medalhas em sete temporadas na Divisão 1. Em 2007 ganhou seu único ouro ao derrotar a Nova Zelândia. Em 2003 e 2004 ficou com a prata ao perder a decisão para Japão e Reino Unido, respectivamente. Depois, levou mais três bronzes em 2006, 2008 e 2009 e foi quarto colocado em 2005. Esse período "de ouro" coincide com as duas medalhas de bronze nos Jogos Pan-americanos de 1999, em Winnipeg (Canadá), e de 2003, em Santo Domingo (República Dominicana). 

Depois disso, houve uma queda que, não à toa, coincidiu com a crise administrativa da CBDG e a briga da entidade com a extinta CBHG (Confederação Brasileira de Hóquei no Gelo), até então a responsável pela participação do país na IIHF. Em 2010, a seleção brasileira ficou na sétima posição. Entre 2011 e 2013 não disputou por não conseguir a vaga na classificatória. Retornou em 2014, foi rebaixada novamente, ficou de fora em 2015 e participou da edição de 2017. 

A trajetória do Mundial de Hóquei Inline da IIHF

O Mundial de Hóquei Inline da IIHF nasceu em 1996 e, desde então, foi realizado anualmente até 2015 (com exceção de 1999) e, depois, a cada dois anos, com a última edição em 2017. Em 20 torneios, os Estados Unidos conquistaram sete títulos da elite e são os maiores vencedores da história. Suécia, cinco vezes, Finlândia e Canadá, três vezes cada, e República Tcheca, uma vez, completa a lista de campeões. 

A criação do evento foi uma tentativa da IIHF capitalizar em cima do surgimento de um novo esporte, que crescia rapidamente nos Estados Unidos e no Canadá a partir do início dos anos 1990. Os atletas perceberam que a utilização de patins com roda em linha proporcionavam uma maior velocidade e dinamismo ao jogo e, dessa forma, simulava muito bem a prática do hóquei no gelo em lugares que não tinham uma pista. 

Essa iniciativa tornou-se porta de entrada dos países tropicais ou com pouca cultura de esportes de inverno, como o Brasil, Colômbia e Argentina, em projetos de desenvolvimento de hóquei no gelo. Na onda do crescimento, a FIRS foi mais rápida e, em 1995, realizou seu primeiro Mundial de Hóquei com patins inline e, em 2002, organizou a primeira competição feminina. Agora, restam apenas estas competições para os praticantes da modalidade. 

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