De olho em 2022, Brasil estreia no Mundial de Curling Duplas Mistas

Marcio Cerquinho e Aline Lima Gonçalves, representantes do Brasil (Reprodução/Facebook)

Esporte popular e queridinho dos brasileiros quando o assunto é esporte de inverno, o Curling estará no centro das atenções do país neste ciclo olímpico. Com uma evolução crescente, o Brasil espera brigar por vaga olímpica na categoria Duplas Mistas em 2022. O primeiro passo será dado nesse sábado, 21 de abril, em Östersund, na Suécia. 

A dupla brasileira, formada por Aline Lima Gonçalves e Marcio Cerquinho, estreia no Mundial da modalidade desta temporada. O Brasil está no Grupo E, ao lado da Áustria, Canadá, República Tcheca, Alemanha, Guiana, Irlanda e Coreia do Sul. O primeiro jogo será contra os tchecos às 20h no horário local (15h no horário de Brasília). 

Essa é a quinta participação do país no Mundial de Curling Duplas Mistas. Nos dois primeiros anos, os brasileiros venceram apenas um jogo em cada edição. Em 2016 foram mais dois triunfos e em 2017 a melhor campanha da história, com três vitórias (apenas uma da vaga inédita à segunda fase). Objetivo que os atletas esperam alcançar dessa vez.

Contudo, mais do que os resultados alcançados, o sonho olímpico do curling brasileiro é possível graças à intenção da WCF (Federação Mundial de Curling) de aumentar o número de países nas Duplas Mistas em 2022. Em PyeongChang, a categoria fez sua estreia nos Jogos, mas contou com apenas oito duplas. A meta é dobrar essa quantidade daqui quatro anos. 

"Acho que temos chances de obter uma vaga se houver essa ampliação. É um objetivo meu e do Marcio Cerquinho evoluir nos próximos anos para buscar uma das vagas para os Jogos de 2022", afirmou Aline em entrevista ao Brasil Zero Grau. 

No ano passado, o Brasil ficou a uma pedra de conseguir a vaga aos playoffs e terminar entre os 16 melhores do Mundial pela primeira vez na história. Na ocasião, o país perdeu para a Finlândia por 8 a 7 no último lance do jogo, após estar vencendo por 7 a 6. Um triunfo nessa partida colocaria o país nas oitavas de final. 

A classificação olímpica no Curling Duplas Mistas leva em conta a posição dos países nos dois últimos Mundiais antes das Olimpíadas. Dessa forma, ficar entre os 16 melhores colocaria o Brasil como um dos candidatos caso a proposta de ampliação seja aceita pelo COI (Comitê Olímpico Internacional).

O assunto entrou em pauta logo após os Jogos Olímpicos de PyeongChang, em fevereiro, mas não há um prazo para definição. Na Coreia do Sul, a estreia da modalidade foi considerada um sucesso pelos dirigentes e a tendência é ganhar mais espaço nas próximas edições. 

"Não há planos para alterar o sistema de classificação das duplas mistas no programa olímpico. Mas é nossa ambição aumentar o número de participantes dos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2022, para 16 duplas", comentou a WCF em nota oficial ao Brasil Zero Grau. 

Até lá, a missão do Brasil é conseguir avançar à segunda fase – e não será fácil neste ano. O grupo conta com o Canadá, atual campeão olímpico e vice do Mundial, a República Tcheca, quarta colocada na temporada passada com a mesma dupla deste ano, e a Coreia do Sul, que terminou entre os oito melhores em 2017. Apenas três países avançam por grupo.

"Estamos melhores do que no ano passado. Entretanto, a nossa chave é forte. Vai ser difícil, mas costumo usar uma gíria do futebol: não existe mais bobo nas duplas mistas", brinca Marcio Cerquinho.

Ele e Aline Gonçalves formaram a dupla no segundo semestre do ano passado e conquistaram o Campeonato Brasileiro de Curling Duplas Mistas, realizado em Toronto, no Canadá, em novembro de 2017. Ambos têm experiência nessa competição. Aline disputou os Mundiais de 2014 a 2016 ao lado de Marcelo Mello. Cerquinho, por sua vez, esteve presente em 2017 com Anne Shibuya.

Os dois brasileiros moram no Canadá, como grande parte da seleção brasileira de Curling, e precisam lidar com um problema geográfico. Aline mora em Whitehorse, enquanto Marcio vive em Vancouver, quase 1500 quilômetros de distância. Ambos treinam sozinhos quase que diariamente e realizaram algumas atividades conjuntas nos últimos meses.

"Fizemos vários treinos em Vancouver e Whitehorse e jogamos bonspiels [torneios de curling de curta duração, normalmente um fim de semana]. Acredito que fizemos tudo que poderíamos fazer para chegar prontos", comentou Cerquinho.

Marcio Cerquinho no Mundial de 2017 (WCF/Richard Gray)

Tabela brasileira no Mundial de Curling Duplas Mistas

21/4 - 15h - Brasil x República Tcheca
22/4 - 9h30 - Brasil x Alemanha
22/4 - 16h - Brasil x Canadá
23/4 - 6h15 - Brasil x Áustria
24/4 - 3h - Brasil x Coreia do Sul
25/4 - 12h45 - Brasil x Guiana
26/4 - 4h - Brasil x Irlanda
* horário de Brasília

Informações adicionais no site oficial do evento. Algumas partidas serão transmitidas no canal oficial da WCF no Youtube, mas até o momento nenhum jogo do Brasil foi agendado. 

Federação muda regras e democratiza classificação por equipes

Paralelo à categoria Duplas Mistas, o Brasil também ganhou uma ajuda extra da WCF (Federação Mundial de Curling) para crescer também na competição por equipes a partir da próxima temporada. A entidade mudou as regras de classificação para o Mundial e Jogos Olímpicos, democratizando um pouco mais o processo.

Antes, os brasileiros precisavam desafiar os Estados Unidos ou o Canadá no America's Challenge para tentar a segunda vaga do continente americano no Mundial. Agora, além do desafio regional, o time brasileiro pode participar de uma repescagem mundial para obter uma das 13 vagas da competição. 

Nos Jogos Olímpicos é a mesma situação. Até 2018, apenas países que participavam de, pelo menos, uma edição do Mundial durante o ciclo olímpico conseguia a vaga direta ou pela repescagem. A partir de 2022, haverá uma "pré-repescagem" para todos os países filiados à WCF. 

"Esse movimento ajudará a abrir oportunidades de investimento para membros emergentes e aumentará o nível de competição tanto no Mundial quanto na própria qualificação, com duas vagas em aberto para homens e mulheres. Particularmente, para um país como o Brasil, o evento de classificação oferecerá uma maior e significante competição no nível internacional e de elite", prossegue a WCF.

Entretanto, apesar da democratização e da possibilidade de fazer mais jogos (um ponto importante para atrair patrocinadores e investimentos), os brasileiros acreditam que esse é só o primeiro passo que precisa ser melhorado para o país crescer também na disputa por equipes. 

"O desenvolvimento das nossas equipes ainda não é o ideal por uma série de motivos, como falta de recursos, localização geográfica dos atletas, entre outros. Mais do que a mudança de regra, a resolução dessas questões daria a nossas equipes chance de obter classificação para um Mundial e, quem sabe, uma Olimpíada", conclui Aline.

Aline no Mundial de 2016 (Richard Gray/WCF)

Nota Oficial da WCF sobre os novos sistemas de classificação no Curling

Após o grande sucesso dos Jogos Olímpicos de Inverno em Gangneung, Coreia do Sul, nós queremos agora capitalizar o interesse em nosso esporte que foi gerado por meio dos Jogos - particularmente na Coreia do Sul e Estados Unidos, onde o interesse significativo dos torcedores atingiu o topo após essas nações conquistarem históricas primeiras medalhas, e também as muitas nações emergentes que recentemente se juntaram à federação. 

Como sempre, nossa maior desafio é garantir uma pista de gelo dedicada ao curling para os nossos membros emergentes. Nós tivemos recente sucesso na Finlândia - por meio da seletiva do nosso projeto Portable Curling Facility - e Bélgica, onde um projeto de crowdfunding ajudou os atletas a abrirem uma instalação com duas pistas em Zemst. Ter um gelo dedicado ajuda muito no desenvolvimento do nosso esporte. 

Nós expandimos nosso Campeonato Mundial de Curling para 13 times, e a partir da temporada 2018-2019, nós também teremos um Evento de Classificatória Mundial. Esse movimento ajudará a abrir oportunidades de investimento para membros emergentes e aumentará o nível de competição tanto no Mundial - porque o time de pior campanha perderá a vaga para o zonal da sua região - quanto na própria qualificação, com duas vagas em aberto para homens e mulheres competirem. Particularmente, para um país como o Brasil, o evento de classificação oferecerá uma maior e significante competição no nível internacional e de elite. 

Até o momento, não há planos para alterar o sistema de classificação das duplas mistas e nem para incluir a disputa de times mistos no programa olímpico. Mas é nossa ambição aumentar o número de participantes dos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2022, para 16 duplas.

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