Começou a corrida para os Jogos de 2026: conheça as candidatas

Thomas Bach no encerramento dos Jogos Olímpicos de 2018 (Greg Martin/IOC)

Nem bem acabou os Jogos Olímpicos de 2018, o Comitê Olímpico Internacional já inicia o processo de escolha da sede dos Jogos de Inverno de 2026. As cidades interessadas tinham até 30 de março para entrarem na primeira fase da disputa, conhecida agora como "estágio do diálogo". No total, sete candidaturas de três continentes confirmaram suas inscrições. 

Sapporo, no Japão, e Calgary, no Canadá, são as representantes da Ásia e América do Norte, respectivamente. Graz (Áustria), Sion (Suíça), Estocolmo (Suécia), Erzurum (Turquia) e a candidatura conjunta de Milão, Turim e Cortina D'Ampezzo (Itália) tentam trazer o evento para a Europa novamente. 

"Saúdo calorosamente o interesse dos Comitês Nacionais e das cidades em sediar os Jogos Olímpicos de Inverno. COI virou a página. Nosso objetivo não é apenas ter um número recorde de candidatos, mas sim selecionar a melhor cidade para sediar os melhores Jogos de Inverno para os melhores atletas do mundo", comemorou Thomas Bach, presidente do Comitê Olímpico Internacional. 

Entretanto, o dirigente deveria ser mais cauteloso. A participação de sete candidatas na fase inicial não significa, necessariamente, que todas estarão na parte final de escolha, em setembro de 2019. Como lembra o site GamesBids.com, havia seis cidades interessadas nos Jogos de 2022 pouco mais de um ano antes da escolha - e no fim sobrou apenas Pequim (China) e Almaty (Cazaquistão), abrindo uma crise sem precedentes no COI. 

Na verdade, algumas cidades correm sérios riscos de desistirem antes de iniciarem o "estágio de candidatura" (veja abaixo como funciona o novo processo de escolha). Apenas Erzurum, na Turquia, e Sapporo, no Japão, contam com apoio governamental e da sociedade civil para seguirem adiante. Confira a situação atual de cada candidata: 

  • Sapporo (Japão): a candidatura tem apoio do Comitê Olímpico local, dos governos municipal e federal e até mesmo da sociedade civil (pesquisa indica que dois terços dos moradores apoiam a iniciativa), além de ter sido sede dos Jogos de 1972 - o que permite reaproveitar grande parte de suas instalações. Contudo, três edições olímpicas de inverno na Ásia (na sequência de PyeongChang, em 2018, e Pequim, 2022) não agradam o público olímpico (leia-se patrocinadores). Em termos estruturais, Sapporo demoliu sua pista de bobsled, skeleton e luge e precisa decidir entre construir uma nova (contrariando a Agenda 2020) ou mandar para Nagano, distante 1000 quilômetros. 
  • Erzurum (Turquia): a cidade turca conta com apoio explícito do governo federal encabeçado por Recep Erdogan e realizou no ano passado o Festival de Juventude de Inverno da Europa. A garantia de apoio financeiro do poder público certamente coloca Erzurum no páreo, mas a pouca experiência do local (que, além do Festival de Juventude, jamais organizou outro evento continental) e a proximidade com os conflitos na Síria (800 km da fronteira) são obstáculos para o desenvolvimento da candidatura. 
  • Calgary (Canadá): sede dos Jogos de 1988, Calgary pretende usar a maioria das instalações, mas planeja construir, pelo menos, uma nova arena de esqui saltos. A candidatura recebeu apoio financeiro do governo federal e da província, mas não agrada os políticos da própria cidade. O Conselho local realizará uma votação em junho para saber se o projeto continua e ainda quer realizar um plebiscito antes de outubro para determinar o apoio dos moradores. Em caso de resultado negativo, provavelmente a cidade canadense deixará a disputa. 
  • Graz (Áustria): a candidatura em conjunta com Schladming surgiu de última hora, após desistência de Innsbruck. O objetivo é descentralizar os eventos: Graz ficaria com as modalidades de gelo, Schladming com esportes na neve, bobsled, skeleton e luge iriam para Königssee e patinação de velocidade para Inzell, ambas na Alemanha. Contudo, o interesse está longe de ser unânime. O Partido Comunista quer realizar um referendo local para analisar o apoio dos moradores aos Jogos de 2026. Além disso, os líderes dessa iniciativa devem entregar um estudo de viabilidade em junho para o governo austríaco. Só a partir daí a cidade vai definir se continua, ou não, na disputa. 
  • Milão/Turim/Cortina D'Ampezzo (Itália): a candidatura foi tão em cima da hora que o Comitê Olímpico Italiano não teve tempo para definir qual cidade seria a principal - deixando nas mãos do COI a escolha pela melhor opção! A aposta da cidade é aproveitar as instalações nas três cidades, que frequentemente recebem eventos de inverno (além de Turim ter sediado os Jogos de 2006 e Cortina D'Ampezzo os de 1956). Contudo, a política também influenciará a continuidade do projeto. O Comitê Olímpico Italiano atrelou a sobrevivência da candidatura ao apoio do governo que será formado após a eleição realizada em março. 
  • Sion (Suíça): a cidade suíça foi a primeira a demonstrar interesse e lançar sua candidatura, em maio de 2017, mas a empolgação foi diminuindo mês a mês. Os dois terços de aprovação dos moradores deram lugar a 59% de oposição no último mês. O projeto conta com o apoio do Comitê Olímpico Suíço, mas a crescente impopularidade fez os políticos agendarem um referendo regional em junho e, caso continue na disputa, um plebiscito nacional em 2019. O projeto é considerado sustentável, orçado em US$ 2,9 bilhões (um dos mais baratos da história recente) e não envolve a construção de nenhuma arena - a patinação de velocidade, por exemplo, pode ser disputada até na Holanda.  
  • Estocolmo (Suécia): é a candidatura mais surpreendente. O próprio prefeito de Estocolmo declarou em 2017 que "não há chance da cidade entrar na disputa", mas o Comitê Olímpico Sueco continuou com o projeto mesmo assim. A cidade aposta na infraestrutura já existente na região e na grande presença de torcedores da Suécia nos Jogos Olímpicos de Inverno para decolar no processo de escolha. Contudo, o apoio governamental é fundamental para seguir na disputa. Para isso, as autoridades aguardam a realização de eleições em outubro e uma provável troca de comando no governo federal.

Como funciona o novo processo de candidatura?

Inspirado na Agenda Olímpica 2020, o novo processo de candidatura busca um diálogo maior entre as cidades interessadas e o Comitê Olímpico Internacional. Em tese, o objetivo é fazer com que os Jogos de Inverno sejam sustentáveis, viáveis economicamente e, principalmente, que estejam alinhados com o desenvolvimento a longo prazo do município, região e país que pretende sediar o evento. 

Agora, o processo compreende apenas duas etapas. A primeira é o "estágio do diálogo", que começou em 17 de outubro de 2017 e terminará daqui um ano, em outubro de 2018. Nela, as cidades interessadas e seus Comitês Olímpicos Nacionais avaliam com o COI os benefícios e requisitos para receberem os Jogos de Inverno. 

Diferentemente de outros anos, não é necessário apresentar propostas e garantias formais - nem tampouco fazer apresentações oficiais. O Comitê Internacional ainda irá disponibilizar, a seu próprio custo, especialistas técnicos para auxiliarem as pretendentes. As cidades interessadas tinham até 30 de março para demonstrar interesse e participar dessa etapa.

Depois, entre outubro de 2018 e setembro de 2019, acontece o "estágio de candidatura". As cidades  interessadas em continuar na disputa desenvolverão um "arquivo de candidatura", que deve ser enviado em janeiro de 2019, e continuarão recebendo apoio do COI para garantir que o projeto esteja alinhado com os objetivos de desenvolvimento do país. Em setembro de 2019, durante a Sessão do Comitê Internacional em Milão, na Itália (ou em outro local se a candidatura italiana prosseguir), será anunciada a cidade vencedora. 

Desistências e futuro 

Antes mesmo de definirem as candidatas dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2026, o Comitê Olímpico Internacional teve duas desistências importantes. Lillehammer, na Noruega, e Innsbruck, na Áustria, despontavam como favoritas, mas abandonaram a corrida antes mesmo de entrarem no "estágio do diálogo". 

Innsbruck, sede dos Jogos Olímpicos de 1964 e 1976 e da primeira edição dos Jogos da Juventude de Inverno em 2012, abortou a ideia após um referendo em outubro de 2017 mostrar que 53% das pessoas eram contrárias à candidatura. Sua desistência abriu espaço para a candidatura de Graz e Schladming. 

Lillehammer, sede dos Jogos de 1994 e dos Jogos da Juventude de 2016, anunciou seu interesse em receber os Jogos Olímpicos de 2026 e chegou a publicar em estudo de viabilidade com utilização da estrutura já existente. A cidade, porém, perdeu apoio do Comitê Olímpico Norueguês em detrimento à cidade Telemark, berço do esqui moderno. Contudo, nenhum dos dois projetos prosperaram e Lillehammer anunciou em março que estava oficialmente fora da disputa.

A cidade norueguesa, porém, pretende participar do processo para os Jogos de 2030. Sapporo também já deixou claro que poderia abrir mão da disputa atual para fortalecer seu projeto para a escolha da sede de 2030. O Comitê Olímpico dos Estados Unidos também pretende entrar com uma candidata para a próxima eleição. Salt Lake City e Boston despontam como favoritas. 

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