Diário de PyeongChang #12 - 'Criatura', Victor Santos espera superar 'criador'

Victor Santos (Gustavo Harada/COB)

Em 2014, quando Leandro Ribela representou o Brasil no esqui cross-country nos Jogos Olímpicos de Sochi, Victor Santos sequer imaginava que um dia poderia repetir o feito de seu professor de rollerski na Cidade Universitária. Contudo, quatro anos depois, o jovem de 20 anos não só repetirá, como espera ultrapassar a marca obtida pelo agora treinador. 

Victor irá participar da prova de 15km em técnica livre do esqui cross-country nesta sexta-feira, 16 de fevereiro, no Alpensia Snow Park. A prova começa às 15h no horário local (4h madrugada no Brasil) e o jovem brasileiro será o 105º a largar, por volta das 15h52 (4h52 no Brasil). É sua única prova em PyeongChang e encerra a participação do esqui cross-country brasileiro. 

"Quero poder fazer uma boa corrida e tentar superar a marca do cara aí", comentou Victor ao Brasil Zero Grau, apontando para Leandro Ribela. 

Nos Jogos Olímpicos de Vancouver, em 2010, Leandro conseguiu a marca de 238.02 pontos ao ficar na 90ª colocação nesta mesma prova (15km em técnica livre). O jovem acredita que pode ter um desempenho em torno de 220 pontos FIS - o que já seria o melhor resultado do Brasil em uma prova masculina de Esqui Cross-Country nos Jogos Olímpicos. 

A confiança é explicada pelos resultados alcançados nos últimos anos. Victor Santos é um dos três melhores atletas do ranking latino-americano e tem uma média de 180.10 pontos FIS - a melhor marca de Leandro nesta lista, por exemplo, foi de 2045.37 pontos. Além disso, ele detém os recordes brasileiros das categorias adulta e júnior e é tricampeão do Circuito Brasileiro de Rollerski. 

"Me surpreendi um pouco com minha evolução. Foi bastante rápido. Nos dois primeiros anos achei que não teria condições de brigar por uma vaga nos Jogos Olímpicos, mas nos últimos dois anos eu vi que era possível", explicou.

O ponto da virada aconteceu em São Carlos, no interior de São Paulo, em outubro de 2015, na primeira prova oficial de rollerski na América do Sul e que valia pontos para o ranking internacional de esqui cross-country.  Victor venceu as duas corridas realizadas e percebeu que a Olimpíada não estava tão distante, afinal.

"Ali eu vi que estava de igual para igual com todos os atletas".

Mais do que a participação olímpica, contudo, o jovem sabe que sua participação exemplifica também não só o seu desempenho esportivo, mas também o trabalho desenvolvido pelo Projeto Social Ski na Rua, idealizado por Leandro Ribela em 2012 e que hoje atende 95 crianças da Comunidade de São Remo, ao lado da Cidade Universitária, que aprendem técnicas de rollerski com outros trabalhos sociais. 

"É bom ver que conseguimos gerar oportunidades e dar as ferramentas para que os meninos possam atingir seus objetivos. O Victor mudou bastante do que era antes. Ele já incorporou os valores do Olimpismo, como amizade e respeito, que tentamos explicar nas aulas", comentou Leandro Ribela. 

O jovem faz parte da primeira geração do projeto e teve seu primeiro contato com a neve ainda em 2014. Em 2015, já fazia parte da equipe brasileira de esqui cross-country. Assim como ele, outros jovens já se tornaram atletas da CBDN, como Caio Moreira, Altair Firmino, Lucas Martins, entre outros. Todos já com experiências internacionais. Dessa forma, Victor sabe que tem mais coisa em jogo além da competição esportiva. 

"É legal participar de uma edição dos Jogos Olímpicos, mas também aumenta a responsabilidade. Vou servir de exemplo para os mais jovens do projeto. Quero passar a eles a mesma oportunidade que tive para chegar até aqui", conclui. 

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