Raio-X: A delegação brasileira nos Jogos Olímpicos de PyeongChang

Jogos de PyeongChang estão chegando (Reprodução)

No dia seguinte ao encerramento oficial do período pré-olímpico dos Jogos de Inverno de PyeongChang, o Brasil finalmente fechou sua delegação para o evento. Dez atletas (incluindo um reserva) representarão o país durante os 17 dias de competições. O anúncio foi feito em 22 de janeiro pelo COB (Comitê Olímpico Brasileiro) com a CBDG e a CBDN. 

Michel Macedo, Jaqueline Mourão, Victor Santos e Isabel Clark são os representantes brasileiros nas modalidades de neve. Já Isadora Williams e a equipe masculina de Bobsled (formada por Edson Bindilatti, Edson Martins, Odirlei Pessoni, Rafael Souza e Erick Viann, reserva) competem nos esportes de gelo. 

Na comparação com 2014, o Brasil teve uma redução significativa. Na ocasião, o Time Brasil foi formado por 15 atletas (incluindo os dois reservas do Bobsled) presentes em sete modalidades esportivas. Agora, os dez competidores estão distribuídos em cinco esportes. É o mesmo número dos Jogos de 2006, mas supera os cinco representantes dos Jogos de 2010. 

A principal mudança foi na equipe da CBDN. Pela primeira vez em 20 anos, o esqui alpino não terá uma atleta do Brasil na competição. Já o Esqui Aerials, que teve a estreia de Josi Santos em 2014, também não terá representantes. Por fim, Jaqueline Mourão dedicou-se apenas ao esqui cross-country neste ciclo olímpico e não repetiu a vaga no Biatlo. 

Já a CBDG repetiu a vaga olímpica na patinação artística com a Isadora Williams. No Bobsled, o país levará dois trenós novamente, mas a dupla feminina dá lugar à dupla masculina em 2018 - o quarteto conseguiu a vaga olímpica nas duas edições. Como a equipe masculina tem os mesmos atletas tanto no 2-man quanto no 4-man, a modalidade teve uma redução de três atletas em relação à 2014. 

A delegação brasileira terá duas Vilas Olímpicas nesta edição dos Jogos de Inverno. Grande parte da equipe (nove de dez atletas) estará na montanha de PyeongChang, próxima da arena de competições. Já Isadora Williams, única atleta brasileira que participa de provas "costeiras", estará em Gangneung, próxima do local de competições da patinação artística. O chefe de missão será Stefano Arnhold, presidente da CBDN e que já exerceu este cargo em Sochi.

"Estamos muito contentes com a dedicação dos atletas e suas respectivas comissões técnicas multidisciplinares, que culminou com a classificação de nove atletas de cinco modalidades esportivas. Tivemos a inédita classificação do trenó masculino de 2 lugares no bobsled e teremos uma delegação que combina a experiência de atletas consagradas, como a Isabel Clark e Jaqueline Mourão, com a juventude de novatos como Michel Macedo e Victor Santos", comentou Arnhold. 

Confira um Raio-X da equipe brasileira em PyeongChang: 


Michel Macedo, 19 anos, chega com a fama de destruidor de recordes: neste ciclo olímpico, ele estabeleceu quatro das cinco melhores marcas do Brasil no esqui alpino. O jovem também se torna no primeiro brasileiro presente nos Jogos da Juventude de Inverno a competir também nos Jogos Olímpicos. Michel é um dos esquiadores mais completos da história do Brasil, alcançando bons resultados tanto nas provas técnicas quanto nas de velocidade - foram nove medalhas em torneios internacionais. Por conseguir o índice olímpico A, ele participará das cinco corridas individuais entre os homens. 


Aos 42 anos, Jaqueline Mourão é o maior exemplo de como a experiência agrega na vida de um atleta. Ela se prepara para a sua sexta edição dos Jogos Olímpicos, a quarta consecutiva no Esqui Cross-Country. Com mais de uma década nesta modalidade, a brasileira viveu seu melhor momento neste ciclo olímpico, com pódios e índices para a Copa do Mundo. Jaqueline também flertou por muito tempo com o índice A olímpico - o que seria algo inédito para o país. Mesmo assim, ela estará presente tanto na prova de sprint quanto no distance 15km.
(Correção: fazer textos na madrugada dá nisso! Tanto Jaqueline quanto Victor Santos, abaixo, conseguiram o índice olímpico B no distance e no sprint. Contudo, este índice dá direito ao atleta participar de apenas uma prova nos Jogos Olímpicos. Assim, os dois atletas participarão dos 15km em técnica livre). 


Victor Santos é o típico caso da criatura que superou o criador. Com 20 anos, ele conheceu o esporte logo após os Jogos de Sochi graças à iniciativa do Projeto Social Ski na Rua, do ex-atleta olímpico Leandro Ribela (presente no esqui cross-country em 2010 e 2014). A adaptação foi rápida: em dois anos ele já era líder do ranking latino-americano da modalidade e principal nome do Brasil na disputa masculina. Tanto que ele também está habilitado para disputar o sprint e o distance 15km - o que faz dele no primeiro atleta do país a participar de duas provas no esqui cross-country olímpico. 


Isabel Clark tem 41 anos e segue como a principal rider da América do Sul. Dona do melhor resultado do Brasil nos Jogos Olímpicos de Inverno (nona colocação no snowboardcross em Turim, 2006), ela deve mais uma vez ser a grande estrela da delegação nacional em termos de resultado. Mesmo sem competir na última etapa por estar se recuperando de lesão, Isabel é a 20ª colocada no ranking da Copa do Mundo e conseguiu de forma tranquila uma das 30 vagas disponíveis em PyeongChang. 


Isadora Williams, 21 anos, foi a primeira atleta do Brasil a conquistar a vaga nos Jogos Olímpicos de PyeongChang. Em setembro de 2017, ela conseguiu a incrível quinta colocação do Troféu Nebelhorn e obteve uma das seis cotas restantes na patinação artística no gelo. Isadora teve um amadurecimento em suas apresentações neste ciclo olímpico e disputará sua segunda edição olímpica com um único objetivo: melhorar seu desempenho de Sochi e ficar entre as 24 melhores para poder realizar o programa longo. 


Em sua quarta participação olímpica, esta foi a primeira vez que o Bobsled do Brasil teve uma classificação tranquila. A equipe, formada por Edson Bindilatti, 38, Odirlei Pessoni, 35, Edson Martins, 28, Rafael Souza, 21, e Erick Vianna, 24, foi a que teve o maior crescimento entre todos os atletas brasileiros neste ciclo olímpico. O quarteto, por exemplo, saltou da 36ª para a 21ª posição em quatro anos, enquanto que o 2-man obteve a vaga inédita entre os homens. A equipe sonha com um Top 15, o que já seria a melhor posição da história do Brasil nesta modalidade. 

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