Brasileiros garantem índices no esqui cross-country paralímpico

Aline Rocha será a primeira brasileira nos Jogos Paralímpicos de Inverno (Reprodução/CPB)

A equipe brasileira de esqui cross-country paralímpico foi até Canmore, no Canadá, para disputar a Copa do Mundo da modalidade e retornou de lá com mais dois índices conquistados para os Jogos Paralímpicos de PyeongChang, em março de 2018. As provas aconteceram no último fim de semana, entre 9 e 12 de dezembro.  

Uma das destaques foi Aline Rocha, tetracampeã da São Silvestre e que começou no esqui cross-country na temporada passada. A atleta de 26 anos mostrou uma evolução surpreendente e garantiu a classificação inédita para os Jogos Paralímpicos de 2018. Ela será a primeira brasileira da história a participar do evento. 

"Fazer algo para entrar para a história paralímpica do Brasil é, sem dúvida, uma enorme felicidade. Quero muito conquistar um grande resultado em PyeongChang e mostrar que consigo brigar pelas primeiras posições", comentou Aline.

O índice veio logo na primeira prova de sprint clássico na categoria sitting (cadeirantes). Aline Rocha terminou na 16ª posição com 3min22seg40 e 168.61 pontos (dentro do limite de 180 pontos necessários para garantir a classificação aos Jogos). A vencedora foi a alemã Andrea Eskau, que venceu a bateria decisiva. 

Nas outras duas provas, a brasileira melhorou ainda mais as suas marcas. Nos 5km em técnica livre, Aline foi a 15ª com 18min25seg3 e 119.83 pontos - Eskau venceu novamente com 15min21seg3. Já nos 12km em técnica clássica, a brasileira ficou na 14ª colocação com 40min00seg1 e 99.13 pontos - a atleta da Alemanha conquistou o terceiro ouro com 34min19seg8. 


Quem também surpreendeu na Copa do Mundo de Esqui Cross-Country paralímpico foi o jovem Cristian Ribera. Descoberto para o esqui cross-country a partir de projeto da Fundação Agitos em parceria com o Comitê Paralímpico Brasileiro e a CBDN, o atleta não só conquistou o índice paralímpico para PyeongChang como também estabeleceu os novos recordes nacionais da categoria. 

Integrante do Programa de Esportes e Atividades Motoras Adaptadas (PEAMA), de Jundiaí, Cristian Ribera foi o 23º no sprint clássico sitting com 2min44seg11 e 126.47 pontos - o russo Ivan Golubkov, que não pôde competir com a bandeira de seu país, foi o vencedor. Depois, nos 7,5km em técnica livre, o brasileiro ficou em 15º com 22min55seg5 e 68.91 pontos - Golubkov venceu com 20min33seg8. Por fim, nos 15km clássico, Cristian conseguiu a 10ª colocação com 42min01seg4 e 52.51 pontos. 

"Essa foi a minha primeira vez competindo na neve e estou muito feliz porque consegui o índice para classificação aos Jogos e o recorde masculino brasileiro de pontos. Conto com a torcida de todos para melhorar ainda mais esses pontos. É ótimo poder representar minha nação, me sair bem e saber que os responsáveis por eu estar aqui hoje não vão se arrepender", afirmou Cristian Ribera. 

Ele desbancou os recordes de Fernando Aranha, que também competiu na categoria sitting da Copa do Mundo de Esqui Cross-Country paralímpico em Canmore. O atleta, presente nos Jogos Paralímpicos de Sochi, já havia confirmado o índice para 2018 em janeiro deste ano. Nesta etapa, ele participou das três provas: ficou na 28ª posição do sprint clássico com 2min50seg72 e 155.73 pontos; foi o 29º nos 7,5km livre com 25min23seg6 e 140.93 pontos; e, por fim, ficou em 25º nos 15km clássico com 47min51seg0 e 142.98 pontos.  

Já Thomaz Moraes, do cross-country standing (amputados nos braços), também melhorou suas marcas. No sprint clássico, ele terminou na 16ª posição com 3min08seg99 e 113.35 pontos - Benjamin Daviet, da França, foi o vencedor. Nos 10km em técnica livre, o brasileiro ficou em 27º com 28min54seg6 e 180.12 pontos - Daviet ganhou mais uma com 22min14seg1. Já nos 20km clássico, Thomaz foi o 12º com 1h02min02seg7 e 110.96 pontos - Rushan Minnegulov, da Rússia, foi o mais rápido com 52min21seg7. 

Com os quatro atletas de esqui cross-country paralímpico habilitados para a disputa dos Jogos de Inverno de 2018, a CBDN espera levar uma delegação recorde. O índice garante duas vagas para o país (um homem e uma mulher), mas a entidade já solicitou dois convites para os demais atletas da equipe - mesma situação de André Cintra, do snowboard. 

Contudo, antes de PyeongChang, o Brasil retorna à neve para mais uma etapa da Copa do Mundo de Esqui Cross-Country Paralímpico. Fernando, Thomaz, Cristian e Aline participam de mais três provas em Oberried, na Alemanha, entre 20 e 23 de janeiro de 2018. 

Jaqueline Mourão e Leila Mostaço também competem no Canadá

Enquanto a equipe paralímpica de esqui cross-country participava da Copa do Mundo em Canmore, na província de Alberta, Leila Mostaço e Jaqueline Mourão, do time olímpico, participaram de provas em Sovereign Lake Nordic Centre, na Columbia Britânica. Ambas participaram da prova de 10km em técnica livre. Jaqueline foi a 24ª com 30min04seg4, enquanto que Leila ficou na 84ª posição com 39min53seg1 - a norte-americana Caittlin Patterson venceu com 27min13seg0. Leila também competiu no sprint clássico e foi a 72ª com 4min25seg66 - Kaitlynn Miller venceu a bateria decisiva. Os pontos FIS ainda não foram publicados pela organização da prova. 

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