Lendas do Inverno #5 - Marie Philip Poulin

(Reprodução/Les Canadiennes)

A canadense Marie Philip Poulin, 26 anos, já foi chamada de "Sidney Crosby entre as mulheres" por ser, como o seu o compatriota masculino, a estrela de seu país no hóquei no gelo. Entretanto, a atleta do Les Canadiennes merece ser reconhecida pelas suas próprias marcas. Foi do taco dela, por exemplo, que saíram os gols que garantiram as medalhas de ouro do Canadá nos Jogos Olímpicos de 2010 e 2014. 

Natural de Beauceville, na província de Quebec, ela busca a terceira medalha de ouro consecutiva e, para isso, iniciou um período de treinamento intensivo com as demais jogadoras da seleção canadense. No total, serão sete meses de concentração e preparação - tudo para conquistar mais um título olímpico. Entre um treinamento e outo, Marie Philip Poulin concedeu uma entrevista exclusiva ao Brasil Zero Grau na seção "Lendas do Inverno". Confira: 

Quais são os seus objetivos na temporada?
Meu objetivo é treinar com o time canadense nos meses que antecedem os Jogos Olímpicos para desenvolver uma química em nossa equipe e ser o mais forte tanto físico quanto mentalmente. Buscaremos uma forte performance no 4-Nations, em Novembro, a fim de nos prepararmos para os Jogos Olímpicos de Inverno e conquistarmos mais uma medalha de ouro. A competição é feroz e nós temos que estar em nosso melhor nível como time e individualmente. 

Como a Seleção Canadense está se preparando para os Jogos Olímpicos?
Nós estamos centralizadas no oeste do Canadá, em Calgary, onde temos acesso a instalações e profissionais de primeira que ajudam a nos prepararmos para fazermos o nosso melhor. O time inteiro irá viver e treinar junto nos próximos meses para alcançarmos o nosso objetivo final. 

A seleção canadense conquistou o ouro nas últimas quatro edições dos Jogos Olímpicos. Esse desempenho pressiona ou encoraja vocês para a disputa em PyeongChang?
Ao entrar em um ano olímpico, é importante percebermos que, apesar de termos sido campeãs no passado, precisamos nos reinventar como equipe e como pessoa. Outras nações evoluíram e melhoraram com o tempo - e nós temos que fazer o mesmo. Os nossos métodos de treinamento evoluíram, nós trabalhamos com os melhores treinadores do mundo para deixar nossos corpos na melhor forma possível para os jogos. Nós incorporamos novas tecnologias na academia, nós monitoramos coisas como nutrição, composição corporal e elevamos nosso foco mental. Como nação, nós conseguimos ficar no topo por sempre procurarmos evoluir e desafiar nós mesmas nos métodos que preparamos.

(Reprodução)

Canadá e Estados Unidos têm dominado o hóquei no gelo feminino. Em sua opinião, alguma seleção pode surpreender nos Jogos Olímpicos? Por quê?
Outros países estão dando grandes passos. Nações como Finlândia e Suécia sempre foram fortes e continuam a melhorar no esporte. Nós sempre precisamos fazer o nosso melhor quando jogamos contra esses países, pois eles têm uma ótima combinação de talento e habilidade no hóquei. 

A briga da NHL com os Jogos Olímpicos no hóquei masculina impacta a disputa feminina? Como?
Sem dúvida, nós gostaríamos que as estrelas da NHL participassem dos Jogos Olímpicos. Você sempre quer quer os melhores jogadores representem seu país. Contudo, agora que a decisão já foi tomada, nós precisamos ter o foco em nosso time e em nossa preparação para conquistar a medalha de ouro. Nós acreditamos que os fãs irão acompanhar tanto a disputa masculina quanto a feminina, já que o hóquei é um dos esportes mais populares nos Jogos Olímpicos. Felizmente, o Canadá pode montar um time que competirá e deixará o nosso país orgulhoso. 

Recentemente, a CWHL [Liga de Hóquei no Gelo feminino do Canadá] comunicou que irá pagar as jogadoras. Como isso ajuda no desenvolvimento do hóquei feminino e na preparação do Canadá para os Jogos Olímpicos?
Nós aguardamos esse momento por muito tempo e agora finalmente nós achamos que estamos caminhando na direção certa. Com a entrada da China em nossa liga, isso nos ajudará a crescer em um ritmo mais rápido e sabemos que também podemos contribuir para o crescimento do esporte naquele país. O montante que iremos receber ainda não é o suficiente para ser um salário digno, mas irá nos ajudar a cobrir os custos com equipamentos e viagens. Nós esperamos ver mudanças mais positivas no futuro próximo, de forma que as atletas de elite não tenham que pagar do próprio bolso por equipamentos de qualidade para jogarem em nossa liga. O talento exibido no gelo da CWHL noite após noite é tremendo e, ao adicionar times à liga, nós poderemos atrair mais fãs em nossos jogos. Uma vez que temos fãs no rink, nós sabemos que teremos fãs para a vida porque acreditamos no produto que colocamos no gelo. Eu definitivamente espero retornar ao Les Canadiennes [equipe de hóquei no gelo feminino] após a centralização dos treinos com a seleção para continuar a desenvolver a nossa liga. 

Você é chamada de "Sidney Crosby" do hóquei feminino. Como você vê esse apelido?
Uma vez que você é identificada como a melhor, o real desafio é manter esse título. De repente todos estarão analisando seus movimentos e métodos para identificar seu nível e bater você. É por isso que é importante não ser complacente. No minuto seguinte que você tira o pé, alguém irá bater você porque você percebe que é a pessoa que está sendo perseguida pelo resto. Individualmente e também como nação, eu encaro essa pressão e a absorvo. Porque eu sei que isso me faz melhor e também ajuda o meu jogo a crescer como um todo. 

Você tem apenas 26 anos, mas já possui mais de dez anos de experiência na seleção canadense. Pretende jogar até quando? 
Enquanto eu ter esse desejo e sentir que sou capaz de fazer os sacrifícios que envolvem um atleta de alto nível, eu planejo jogar e representar meu país. Então, por enquanto, eu não tenho certeza até quando isso acontecerá. Meu corpo também precisa se manter saudável. Eu espero poder jogar por muito tempo!

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