'É a economia, estúpido!' - A briga entre NHL e Jogos Olímpicos

Canadá e Suécia, com suas estrelas, disputam o ouro olímpico em 2014 (Jeff Vinnick)


Quem é fã de hóquei no gelo já sabe: a NHL, liga norte-americana que concentra as principais estrelas do esporte, não vai interromper seu calendário durante a disputa dos Jogos Olímpicos de Inverno em 2018, na Coreia do Sul. Em outras palavras, os principais nomes do hóquei no gelo masculino não irão a PyeongChang no ano que vem. 

A decisão foi tomada nos últimos dias, após meses de negociações, e o desfecho pode ser conferido aqui e aquiDesde 1998, quando NHL e IIHF realizaram um acordo histórico para a participação dos atletas profissionais de hóquei no gelo, as principais estrelas da modalidade sempre estiveram presentes na disputa olímpica - até mesmo com a criação simbólica do Triple Gold Club

As duas entidades trocaram acusações e ameaças nos últimos dias. A NHL questiona os benefícios que os Jogos Olímpicos trazem para o esporte, enquanto que a IIHF afirma que a liga norte-americana cresceu com a ajuda olímpica. Contudo, independentemente dos motivos e razões, essa discussão ultrapassa os limites esportivos. 

Como bem lembra James Carville, assessor de Bill Clinton em 1992, "é a economia, estúpido". Mais do que os motivos esportivos, o que pesa para os dois lados são os aspectos financeiros que a participação - ou não - dos profissionais da NHL nos Jogos de Inverno pode trazer para as duas partes. 

A IIHF e o COI sabem que a inclusão de seleções fortes no hóquei no gelo impulsiona a venda de ingressos e explode a audiência em mercados importantes, como Canadá, Estados Unidos e Europa. Vale lembrar, por exemplo, que a NBC pagou incríveis US$ 12 bilhões para transmitir as Olimpíadas até 2032! Já a NHL também reconhece que entrou em novos mercados graças aos Jogos de Inverno. Não à toa que a liga retomou a Copa do Mundo de Hóquei em 2016 justamente para ampliar sua influência internacional. 

O resultado das negociações é definido após esses pontos serem colocados na balança. Por duas décadas (1998 - 2017) as duas partes reconheceram o equilíbrio e, principalmente, os benefícios para todo mundo. Agora, a menos de um ano para PyeongChang, a percepção mudou por afetar o principal ativo dos clubes da NHL: os próprios atletas. 

Em Sochi, nos Jogos de 2014, ao menos sete jogadores se lesionaram durante as Olimpíadas e desfalcaram suas equipes em um momento crucial da competição: o fim da temporada regular e o início dos playoffs. Sem eles, muitos clubes foram eliminados e perderam valores consideráveis com venda de ingressos e premiação. Além disso, o campeonato foi condensado em menor tempo, o que levou ao cancelamento do All-Star Game, outra fonte importante de receita. 

Dessa forma, a participação olímpica trouxe mais prejuízo do que lucro, gerando questionamentos se a relação de equilíbrio entre NHL e IIHF ainda existia. Sem a certeza de que os dois lados estavam "ganhando", a liga norte-americana, influenciada pelas franquias, endureceu as negociações para PyeongChang-2018 e ignorou os Jogos Olímpicos em seu calendário.

Contudo, como qualquer negociação, tudo pode mudar de uma hora para outra. Thomas Bach, presidente do COI, ainda acredita na participação dos principais atletas. Ainda restam alguns meses para as duas partes sentarem e conversarem sobre o tema. Para isso, basta a IIHF convencer a NHL que a participação olímpica pode voltar a ser benéfica não só para o esporte, mas também para as finanças dos clubes. 

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