Brasil estreia no Pan de hóquei no gelo em busca de evolução

Pôster da equipe brasileira no Pan de Hóquei em 2016 (ImagenDeportiva.net)

Praticamente um ano após fazer história, a seleção brasileira de hóquei no gelo retorna ao México em busca de um novo feito na modalidade. O país participa da terceira edição do Pan-americano de Hóquei no Gelo, realizado na Cidade do México entre os dias 6 e 12 de junho. O objetivo é repetir a medalha de bronze conquistada em 2015. 

A primeira partida é fundamental para essa meta. O Brasil enfrenta o time B da Argentina às 13h (horário de Brasília). No total serão cinco partidas na primeira fase até sábado, dia 11.Os dois primeiros avançam para a decisão, no domingo. A tabela completa está disponível neste link

Amistoso entre Brasil e Colômbia neste domingo (ImagenDeportiva.net)
A missão brasileira não será nada fácil. Alguns atletas presentes na campanha de 2015 não estão presentes por conta dos custos envolvidos. Além disso, México e Colômbia seguem à frente no quesito técnico e são favoritos para repetirem a final de 2015. Neste domingo, por exemplo, a equipe nacional enfrentou os colombianos em um jogo amistoso e perdeu de 5 a 0. 

Para entender mais sobre a preparação e os objetivos do time brasileiro de hóquei no gelo, o Brasil Zero Grau conversou com o norte-americano Jens Hinderlie, responsável pela comissão técnica no segundo ano consecutivo. Confira com exclusividade: 

1 - Como foi a preparação do time brasileiro para o Pan-americano de Hóquei no Gelo?
Neste ano tivemos um treinamento especial e seletiva para jogadores que não estiveram no México no ano passado. A atividade aconteceu em São Paulo no rink do Shopping Continental. É um pedaço pequeno de gelo, mas conseguimos realizar algumas coisas boas. Foi muito produtivo. Nós planejamos ter mais quatro dessas clínicas para nosso time de desenvolvimento e também para as crianças. Nós chegamos no México no dia 2 de junho e treinamos por três dias. É meu objetivo fazer com que o time patine o quanto for possível durante este período de treinamento para se tornarem os melhores patinadores possíveis em três dias. A grande maioria dos nossos atletas joga apenas o hóquei inline, o que é completamente diferente. Então o meu trabalho é pegar esse grupo de rapazes e mudar a mente deles para atingir o sucesso também no gelo. 

2 - Quais os objetivos da equipe na competição? É possível repetir a medalha de bronze do último ano?
O nosso objetivo é ganhar a medalha de ouro. Eu tenho metas altas e sei do potencial desses atletas. Mesmo com os nossos limites (dinheiro, disponibilidade no gelo, custos de viagem, etc), com as habilidades que os competidores brasileiros possuem eu acredito que podemos competir em alto nível. A chave para a gente é, obviamente, trabalhar mais do que qualquer outra equipe que enfrentarmos. 

3 - A medalha de bronze do ano passado ajudou o time brasileiro neste ano? Como?
Bom, hóquei no gelo é um jogo diferente. Os brasileiros estão acostumados a competir no inline, que possuem diferentes regras. Essas diferenças são difíceis de se ajustar mentalmente. Portanto, leva tempo e prática entender essas peculiaridades no jogo. O Pan-americano do ano passado deu a esses jogadores a confiança de que eles podem competir em um nível nacional. A cada dia os jogadores estão melhores. Com mais investimento no esporte do poder público e de parceiros privados, eu vejo a gente melhorando todo ano e, eventualmente, atingir o nível da Divisão 3 no Mundial. Contudo, nós precisamos que esses planos não cresçam apenas internacionalmente, mas também aqui no Brasil em um nível mais básico.

Jens Hinderlie comanda o Brasil novamente (ImagenDeportiva.net)
4 - Você acredita que o Brasil pode crescer no hóquei no gelo nos próximos anos? O que precisamos fazer para isso? 
Sim, como afirmei acima, é uma grande possibilidade de crescer no esporte. Nós estamos desenvolvendo um plano de ter mais opções de treinos no gelo em outros países para a seleção. Além disso, precisamos aumentar o investimento em hóquei inline e street hóquei. Isso tem que ser feito agora. Evoluir o jogo com um esforço interno como eventos de street hóquei em grandes áreas públicas, como Copacabana, e mais importante, fazer a liga nacional de inline cada vez melhor. A chave é ter visão! Onde o hóquei brasileiro estará em dez anos? O que faremos para chegar lá? O objetivo, claro, é construir um rink de gelo no futuro, mas precisamos ter um plano para isso. Nós temos que alocar recursos para desenvolver o hóquei - o que demanda dinheiro e planejamento. Agora nós não temos muito dinheiro, então temos que ser criativos com nossa estratégia e desenvolver metas de curto e longo prazos. Eu estou confiante que podemos fazer isso. A CBDG está aberta para desenvolver o hóquei, ainda que o foco dela esteja nos Jogos Olímpicos de 2018. 

5 - Quais as principais dificuldades enfrentadas pelo Brasil no esporte?
A principal dificuldade é o investimento. Nós temos apenas dez dias por ano no gelo. Precisamos treinar mais e desenvolver um time sub-18 também. Hóquei no gelo é um esporte caro, especialmente se o país não tiver um rink de gelo. Então precisamos arrumar investidores e aumentar nossa verba com a CBDG para abrir essa porta para mais oportunidades aos brasileiros. Entretanto, estamos apenas no nosso segundo ano, logo ainda somos jovens neste processo. Temos que dar mais um passo em relação ao ano passado e assim por diante. Tudo isso é parte de um planejamento de desenvolvimento que estou fazendo com Alexandre Capelle e Emílio Strapasson. 

6 - Você vive no Brasil? Como surgiu a possibilidade de treinar a equipe brasileira de hóquei?
Eu moro no Rio de Janeiro, perto do Parque Olímpico. Meu trabalho principal é ensinar inglês para profissionais de negócios. No ano passado minha noiva contatou a CBDG e tive uma grande conversa com Alexandre Capelle [responsável técnico da modalidade na entidade] e ele me perguntou se eu queria treinar a equipe.

7 - Você imaginou que poderia treinar uma equipe nacional de hóquei no gelo?
Bom, eu sempre amei o hóquei no gelo. Eu adoro ensinar pessoas em como jogar e sim, eu tinha esse sonho de compartilhar este grande esporte ao redor do mundo. Entretanto, eu nunca imaginei que poderia treinar uma seleção nacional. Foi uma bênção ter essa oportunidade. Os brasileiros são apaixonados por hóquei e eu estou muito empolgado com essa grande oportunidade que Deus me deu. 

Confira um vídeo com lances do amistoso entre Brasil e Colômbia neste domingo: 

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