Com Karolina e Logan, Brasil tem primeira dupla na dança no gelo

Karolina e Logan (centro) com os treinadores (Divulgação)

A CBDG anunciou nesta quarta-feira, dia 25 de maio, uma das maiores surpresas do país na próxima temporada dos esportes de inverno. Pela primeira vez na história, o Brasil vai contar com uma dupla na disputa da dança no gelo. Os responsáveis são Karolina Calhoun e o jovem Logan Leonesio, dos Estados Unidos. Eles estreiam na categoria júnior neste ano. 

Os atletas serão treinados por Christine Binder e Vitaliy Novikov, com coreografia de Pasquale Camerlengo, três profissionais renomados no mundo da patinação artística no gelo. A estreia deve acontecer no Cannon Open Texas, em Dallas, entre os dias 7 e 10 de julho. Além disso, a dupla pretende competir nas etapas da França e do Japão do Grand Prix Júnior, entre agosto e setembro.

A ideia da formação desta dupla partiu de Karolina Calhoun, integrante da equipe brasileira de patinação artística. Grande promessa da modalidade, a jovem passou as últimas duas temporadas sofrendo com lesões. Para continuar competindo, resolveu mudar de categoria. 

"Embora seja um desafio muito grande de trocar de disciplina e ter que praticamente aprender do zero, a dança oferece menos riscos de lesões e o impacto no corpo é menor. A patinação sempre foi a paixão da Karolina e a transição para a dança foi uma forma de tentar continuar no esporte que tanto ama sem sofrer as consequências de lesões constantes", escreveu Nelia Calhoun, mãe de Karolina, ao Brasil Zero Grau.

Campeã norte-americana de patinação artística na categoria intermediate em 2013, ela tinha um belo futuro na categoria individual, mas sucessivas lesões a impediram de ter uma regularidade. Ela sofria com dores nas costas e teve, inclusive, uma fratura na vértebra C4. Foi um ano quase inteiro de recuperação.

Agora na dança no gelo, ela espera conseguir recuperar o tempo perdido com a troca de categoria e se entrosar rapidamente com seu novo parceiro. Logo, a primeira temporada será mais de aprendizado do que, necessariamente, na busca por resultados. 

"A dança no gelo requer um refinamento enorme no trabalho com edges e a precisão de cada movimento requer um treino profundo e diário. As formas de patinação são distintas e os detalhes dos movimentos na dança são minuciosos", complementa Nelia.

Logan Leonesio: o parceiro 

Decidida pela mudança, era necessário encontrar um parceiro na mesma faixa etária, categoria e que, naturalmente, topasse competir pelo Brasil (o país não tem um atleta masculino em alto rendimento nesta idade). Até que apareceu Logan Leonesio, atleta norte-americano especialista na dança no gelo e que também estava atrás de uma nova parceira. 

"Vindo de uma parceria ruim na última temporada, eu estava me debatendo se continuaria na patinação por mais um ano ou se focava mais na minha vida escolar. Quando surgiu essa oportunidade com a Karolina, eu fiquei surpreso, mas ao mesmo tempo ansioso em iniciar um novo capítulo da minha carreira", comentou Logan com exclusividade ao Brasil Zero Grau.

A história de Logan na patinação artística no gelo começou por influência familiar quando ele tinha quatro anos: sua mãe foi atleta da modalidade e a irmã mais velha já participava de treinamentos. "Indo para o rink todos os dias enquanto esperava minha irmã me fez decidir experimentar este esporte", afirma. 

Como era de se esperar, ele começou na disputa individual e ficou nesta categoria por seis anos. Aos dez, a mãe de uma colega com a mesma idade comentou sobre a dança no gelo porque ela buscava um parceiro para poder treinar. Logan toparia participar? Claro que sim! "Até tentei continuar com as duas categorias, mas ficou muito difícil e, no fim, resolvi focar de vez na dança no gelo". 

Desde então, são seis anos dentro do esporte e três parceiras diferentes. Com Karolina,a união começou em março de 2016 - o que exige um período intensivo de treinos para compensar o pouco tempo juntos. "Ela tem sido fantástica. Mesmo que eu tenha mais experiência na dança no gelo, ela aprende mais rapidamente do que eu poderia imaginar! Treinar com ela realmente traz algo a mais. Temos uma grande química e trabalhamos bem dentro e fora do gelo". 

Agora, ele vai estrear no circuito internacional justamente sob a bandeira brasileira. A situação é comum na dança no gelo atualmente: algumas duplas são formadas por pessoas de nacionalidades diferentes, que precisam decidir qual país irão representar. Isso não chega a ser um problema para Logan. "Nunca imaginei que poderia competir por outro país que não fosse os Estados Unidos. Entretanto, eu estou muito animado em representar o Brasil nesta temporada e espero aprender muito mais sobre o país, sua população maravilhosa e a cultura".

Bom, tempo para isso não falta. Os próximos meses serão intensos para ele e a Karolina. Ambos correm contra o tempo para se entrosarem e atingirem um nível competitivo na dança no gelo. O objetivo é ousado: competir no Mundial Júnior de patinação artística no gelo, que deve acontecer em março de 2017, em Taiwan. "Este é o nosso objetivo principal. Participar do Mundial é uma grande honra e eu amaria representar o Brasil na dança no gelo". 

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