Esportes de inverno receberão R$ 4,7 milhões da Lei Piva

Emílio, da CBDG, Pedro e Stefano, da CBDN (Reprodução/Facebook)

Uma notícia quase passou despercebida neste fim de ano. O COB (Comitê Olímpico Brasileiro) anunciou no último dia 18 de dezembro o repasse da Lei Piva para as confederações nacionais em 2016. No total, R$ 131 milhões serão distribuídos entre as entidades esportivas no ano mais importante do esporte olímpico brasileiro. 

As confederações de inverno (CBDN e CBDG) souberam aproveitar este bom momento e viram suas fatias subirem. Cada uma delas receberá cerca de R$ 2,2 milhões em 2016 (R$ 2.235.200,00 para ser mais exato) e deverá investir em projetos que desenvolvam as modalidades por aqui. 

O valor, como já é de praxe na divisão dos recursos no Brasil, é o menor dentre todas as instituições. Como o método adotado pelo COB é a meritocracia pura, evidentemente as modalidades de neve e gelo ficarão para trás - por mais que muitos resultados em mundiais sejam tão bons quanto de outros esportes de verão. 

Por outro lado, nenhuma das duas confederações de inverno viu tanto dinheiro da Lei Piva em um único ano - se eu não estiver enganado, para os Jogos de Sochi, cada uma delas recebeu R$ 1,6 milhão. Sem falar, claro, que o COB vai custear diretamente a Missão Brasileira nos Jogos da Juventude de Inverno, em fevereiro de 2016 (poupando os cofres da CBDN e CBDG deste custo). 

Agora, é preciso ter planejamento e bom senso na utilização desta verba pública. Se para as demais confederações a Lei Piva é a principal fonte de renda, a dependência é ainda mais gritante para as modalidades de inverno. A CBDG, por exemplo, ficou muito tempo sem receber este dinheiro por conta da crise administrativa entre 2011 e 2013. 

Além disso, ela precisa distribuir a verba em sete modalidades distintas (patinação artística, bobsled, skeleton, luge, hóquei, curling e patinação de velocidade). Uma divisão grosseira do valor total indica pouco mais de R$ 319 mil para cada um destes esportes - pouco, se pensarmos que grande parte dos treinamentos é feito fora do Brasil. No caso da CBDN, a situação é semelhante, com poucos apoiadores privados e cinco modalidades diferentes sob sua administração (biatlo, cross-country, esqui alpino, snowboard e esqui livre aerials). 

Portanto, mesmo com um investimento recorde, ainda é preciso ter planejamento e esforço para utilizar cada centavo recebido. Assim, é possível tirar alguns projetos do papel e levá-los adiante. Até porque o momento de aproveitar é agora! Depois dos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro, a torneira pública deve fechar e minguar o financiamento olímpico para o verão e, principalmente, para o inverno. 

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