Lais Souza esbanja otimismo e alegria em São Paulo

Lais Souza concede palestra na Editora Abril (Brasil Zero Grau)

Lais Souza tem rosto de menina, mas uma trajetória para causar inveja a muita gente que se acha experiente. Com 26 anos, ela acumula medalhas e troféus em competições internacionais de ginástica artística, participou de dois Jogos Olímpicos, trocou de esporte, conseguiu vaga em uma Olimpíada de Inverno e ainda se recuperou de um grave acidente que quase tirou sua vida em 2014. 

Aliás, é justamente este último ponto o tema central de suas palestras e entrevistas desde o fatídico 27 de janeiro de 2014. Entretanto, o tom de sua fala não é de tristeza ou conformismo, mas sim de esperança e motivação para que outras pessoas possam se inspirar e ultrapassar seus desafios. 

Nesta terça-feira, Lais esteve no debate Abril no Rio, promovido pela Editora Abril, em São Paulo, e o Brasil Zero Grau esteve presente. Esta é a primeira entrevista que o site faz com a atleta após o acidente. Confira os melhores trechos da conversa: 

Rotina de treinamentos de um atleta
"É igual escritório! Sempre a mesma coisa, com as mesmas pessoas e as mesmas atividades. Para me motivar, eu pensava na competição que estava por vir e sabia que a repetição que eu realizava naquele momento reduziria as chances de erro no torneio. É por isso que dá frustração os erros em grandes eventos"

Migração para esqui aerials
"Eu já estava acabando minha trajetória na ginástica e recebi o convite da CBDN para realizar o teste. Acabei passando e me joguei neste novo esporte. Sempre gostei de coisas novas e desafios na carreira. No fim, eu me encaixei em tudo e me adaptei rapidamente no esqui aerials"

O dia do acidente 
"Justo naquele dia [27 de janeiro] eu recebi a notícia de que tinha conseguido a vaga olímpica. Já tínhamos estipulado que em dois dias já viajaríamos para os Jogos. Era um treino básico e leve. O dia estava com Sol e consegui fazer um bom treinamento na montanha. No fim, eu realizava um treino de velocidade e freada e tive a infelicidade de perder o timing... Depois, tenho poucas lembranças. Lembro de ver o técnico [Ryan Snow] pedir calma e que eu reclamava de dor no pescoço. Lembro também de subir no helicóptero até o hospital até adormecer"

O pós acidente
"Depois que falaram que eu não poderia mais andar, deu um pouco de desespero e senti que estava em um momento grave da minha vida. Mas consegui superar naquele momento porque encarei mini-problemas ao invés de pensar que estava tetraplégica. Foquei mais em melhorar das dores antes de pensar nisso. Só depois que minha família chegou nos Estados Unidos eu comecei a entender mais essa questão"

Fisioterapias
"Tenho necessidade de estar me movendo. A fisioterapia melhora a minha qualidade de vida. Com ela, eu passo uma mensagem para o meu corpo: eu estou aqui e vou me recuperar. É uma rotina bem parecida com a de atleta, com três horas diárias.Quero trabalhar todos os dias para chegar a ficar em pé, sozinha"

Recuperação
"Percebi que tenho que ter paciência e não deixar de acreditar. Coloquei uma data meio que brincadeira, meio que sério: na Olimpíada do Rio gostaria de entrar andando. Teve pessoas que disseram que sonharam com isso. Então, se eu mexer um dedinho que seja. já está bom"

Família
"Logo depois do acidente eu até estranhei um pouco ter sempre alguém do meu lado. Eu saí muito nova de casa e já tinha uma independência. Mas me conforta saber que posso contar com eles. Está sendo gostoso voltar para a casa dos pais. É uma forma de conhecer eles novamente e eles conhecerem a Lais"

"Eu nunca fui de frequentar Igreja, mas rezo na minha cama e não fico pensando que isso é um castigo de Deus. Eu já passei dessa fase de se questionar 'por que eu?'. Se Deus me deu essa condição, é porque Ele acredita que posso encará-la"

Paralímpiadas?
"Eu penso nisso sim e tenho ideia de voltar a praticar algum esporte. Já conheci a bocha adaptada com uma equipe profissional no Rio de Janeiro. Quero conhecer um pouco a mais e quem sabe eu me torne uma para-atleta!"

Apoio
"A CBDN continua me apoiando, inclusive com seus funcionários, e o COB está por trás do meu tratamento médico. Eu tenho certeza que eles ficarão até o fim do meu lado. A Bradesco e Estácio também são empresas que estão me apoiando e fui agraciada com essa pensão. Estou bastante feliz de ter essas ajudas"

Células tronco
"Fiz um ciclo de três aplicações em 2014. Os médicos norte-americanos disseram que eu teria um pouco mais de sensibilidade e senti isso mesmo. Tive uma melhora na sensibilidade no pé, mão, braço, costas... Pode ser pela célula ou algo natural, mas melhorou"

Biografia?
"Ainda tem muito o que acontecer na minha história. Só depois penso em escrever um livro. Estou esperando não um ponto final, mas algo que seja o ponto principal da narrativa. Espero que isso seja a recuperação dos movimentos" 

Relacionamento esportivo
"Acompanho pouco a ginástica, mas as amizades continuam. Com o pessoal do esqui aerials eu conversei mais, mas sobre o acidente em si só tive uma reunião. Gostaria de ir para os Jogos do Rio e estou esperando convite (risos). Quero estar próximo e acompanhar novos esportes"

Esqui ou ginástica
"O esqui conseguiu me agarrar e tenho um carinho muito grande, mas os meus sonhos sempre são com a ginástica. É o amor da minha vida" 

Futuro
"Penso algumas vezes sobre isso. Quero levar minha história e minha motivação para instituições e pessoas. Também desejo seguir no esporte. Gosto de estar com este povo bagunceiro (risos)"

Conquistas
"A minha evolução é o maior prêmio da minha carreira. Eu corri risco de morte e passei sem nenhum problema grave. Só estou parada por um tempo"

Lais (Brasil Zero Grau)

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