Tour de Ski

Prova de cross-country pelo Tour de Ski (NordicFocus)

Semana passada expliquei o Four Hills de esqui saltos, campeonato que bebe na fonte dos Grand Slams de tênis. Agora é a vez do Tour de Ski, competição de cross-country inspirado no Tour de France, principal competição de endurance do ciclismo. A nona edição do evento começa neste sábado, dia 3, e termina no dia 11. 

São sete etapas em quatro cidades distribuídas entre Alemanha, Suíça e Itália. As cidades são alteradas ano após ano, sobretudo graças à instabilidade climática. Nesta temporada, por exemplo, Oberstdorf abre a temporada pela primeira vez na história. A Suíça também alterou o calendário e levou a terceira etapa para Val Müstair, casa da lenda Dario Cologna, o maior vencedor masculino do Tour. 

Mas nem mesmo o clima é capaz de diminuir o brilho que o torneio conquista ano a ano. Confira um pouco mais sobre este evento importante do calendário internacional dos esportes de inverno. 

História com obstáculos

A ideia de criar um evento semelhante ao Tour de France no cross-country veio na onda de novidades que a FIS (Federação Internacional de Esqui) implementou no esporte desde a década de 80 do século passado. Era preciso dar uma repaginada nas competições. Assim, a técnica livre e provas de sprint foram introduzidos pouco a pouco nas disputas. 

Um dos principais atletas dessa época, o norueguês Vegard Ulvang, campeão olímpico em 1992, queria criar um torneio mais longo, que mesclava várias distâncias e estilos. Ele levou a ideia para a região de Barents, na Escandinávia e norte da Rússia e, depois de assumir o cargo de diretor de cross-country na FIS em 2006, ele criou o Tour de Ski no centro da Europa para janeiro do ano seguinte.

O início, porém, foi cheio de percalços. No primeiro evento nem a Áustria e nem a Suíça demonstraram interesse em sediar etapas, receosas com a aceitação que um torneio do tipo teria no público. Nove Mesto, na República Tcheca, foi escolhida para sediar a abertura, mas a falta de neve fez com que a disputa fosse cancelada. Dessa forma, ao invés de oito provas, foram realizadas apenas seis e coube à Munique organizar a primeira etapa. 

Mesmo com tantos problemas, o campeonato foi um sucesso tanto para os competidores quanto para a audiência. Os medos que impediram a criação do Tour em anos anteriores se dissiparam e o torneio só cresceu desde então.

Etapas em 2015

Mapa com as provas do Tour de Ski (Divulgação/FIS)

Nesta temporada serão disputadas sete etapas em nove dias e em quatro cidades. As duas primeiras provas acontecem em Oberstdorf, na Alemanha. Depois, acontece a prova de sprint na Suíça e o evento vai para a Itália. Toblach recebe as etapas 4 e 5 e Val di Fiemme encerra a competição com a sexta e sétima provas. Confira o calendário (todos os horários levam em conta o horário brasileiro de verão):

3/1 - 7h45 - Oberstdorf (Alemanha) - 3km feminino e 4km masculino na técnica livre
4/1 - 8h00 - Oberstdorf (Alemanha) - 10km feminino e 15km masculino na técnica clássica
6/1 - 10h15 - Val Müstaisr (Suíça) - Provas de Sprint em técnica livre
7/1 - 10h00 - Toblach (Itália) - 5km feminino e 10km masculino clássica com intervalo na largada
8/1 - 9h15 - Toblach (Itália) - 15km feminino e 25km masculino livre em perseguição
10/11 - 10h00 - Val di Fiemme (Itália) - 10km feminino e 15km masculino clássico em largada coletiva
11/11 - 9h00 - Val di Fiemme (Itália) - 9km perseguição para homens e mulheres

Copa do Mundo

Assim como o Four Hills no esqui saltos, as provas do Tour de Ski são válidos para o ranking da Copa do Mundo de esqui cross-country. Os vencedores do torneio recebem 400 pontos na classificação. Além disso, cada etapa do tour concede 50 pontos (metade do que é distribuído em provas tradicionais) para quem venceu. Dessa forma, um atleta pode receber, no máximo, 750 pontos com a competição.

Favoritos

Como não poderia deixar de ser, os atletas noruegueses são os favoritos para vencerem esta temporada do Tour. Atual campeão masculino, Martin Sundby vive grande fase nesta temporada: conta com cinco pódios e lidera o ranking da Copa do Mundo. Ele deve ter a companhia de Peter Northug Jr, lenda do cross-countryy norueguês e que busca seu primeiro título do evento. 

Entre as mulheres, o grande favoritismo é de Marit Bjoergen. Dominante entre as mulheres, a norueguesa, por incrível que pareça, busca seu primeiro título no Tour. Sua compatriota Therese Johaug também tem boas chances para conquistar o bicampeonato. A polonesa Justyna Kowalczyk, dona de quatro títulos, corre por fora. Nesta temporada ela decidiu focar apenas nas provas clássicas, sua especialidade.

Curiosidades

- País dominante no Cross-Country, a Noruega não tem tanta sorte no Tour de Ski. Em 16 competições (somando homens e mulheres), o país escandinavo conquistou apenas dois títulos - curiosamente os dois no ano passado, com Martin Sundby e Therese Johaug. 

- Mesmo sem título, Peter Northug Jr é o único atleta que ficou no top 10 em todas as edições do Tour.

- A disputa masculina é mais acirrada: cinco países conquistaram títulos nas oito edições. O suíço Dario Cologna é o maior vencedor, com três triunfos, seguido pelo tcheco Lukas Bauer, dono de dois troféus. 

- Nas mulheres a situação se inverte: a polonesa Justyna Kowalczyk conquistou um tetracampeonato entre as temporadas 2010 e 2013. Atrás dela aparece a finlandesa Virpi Kuitunen, que venceu a primeira e a terceira edições. 

- A última edição foi a primeira do campeonato em que um país conquistou todas as posições no pódio, tanto no masculino quanto no feminino. A Noruega teve os três primeiros colocados nos dois gêneros. 

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