Pronto para deslizar

Começou oficialmente na quarta-feira o primeiro Mundial de Inverno desta temporada. O resort austríaco de Kreischberg foi o local escolhido para sediar os campeonatos mundiais de Snowboard e Esqui Livre. As competições terminam no dia 25 de janeiro.

É a primeira vez que a FIS realiza um mundial unificado para os dois esportes. Ao todo, teremos cinco provas diferentes de esqui livre e outras cinco de snowboard, totalizando cerca de 700 atletas provenientes de 40 países. A agenda completa pode ser conferida no site oficial. O canal por assinatura Sportv fará cobertura completa, com transmissão da maioria das provas. 

A primeira prova foi a qualificação do aerials, na noite desta quarta-feira. No feminino, a Austrália começou com tudo: Danielle Scott teve a melhor nota do dia, com 96.23 pontos, seguida pela compatriota Laura Peel. No masculino, o russo Ilya Burov teve o melhor salto, com 117.65. Mas é bom lembrar que essas notas servem apenas para definir quem avança na final e não interfere na disputa pelo ouro.

O local

O local de competições (FIS/Buchholz)

Por ser a primeira vez que o campeonato é conjunto com as modalidades mais radicais, nada mais natural do que a escolha de Kreischberg, na Áustria, para sediar o evento. O resort austríaco, localizado no sul do país europeu, é um dos primeiros do mundo a ser voltado quase que exclusivamente ao freeride e é a segunda vez que recebe um mundial da FIS - em 2003, sediou o campeonato de snowboard.

Dessa forma, há toda uma estrutura típica para esportes como slopestyle, aerials, halfpipe e tantos outros que devem levar uma legião de jovens nas arquibancadas. Por ser compacto, as chegadas de halfpipe, aerials, big air, cross e slopestyle serão praticamente no mesmo local. Já as competições de paralelo aconteceram do lado, enquanto moguls será um pouco mais acima. 

O que esperar?

Muitas acrobacias, saltos e velocidade. As modalidades de esqui livre e snowboard são tratadas como essenciais dentro da FIS e do COI justamente por atraírem um público mais jovem. Por isso que em 2015 resolveram unir todas as provas radicais em um único Mundial, facilitando o acesso às informações. 

Há esportes para todos os gostos. Quem gosta de skate pode conferir provas de slopestyle e halfpipe; quem preferir acrobacias e saltos, basta assistir aerials, big air e moguls. Se você quiser ver velocidade, assista as disputas de cross e paralelos. 
 

Favoritos

Canadense Marielle Thompson é uma das favoritas (Reprodução/FIS)

Como são várias modalidades, os favoritos são diversos. Vamos por partes: 

Aerials: os atletas chineses são os principais favoritos para a disputa. No masculino, Guangpu Qi é o mais cotado para o título, principalmente pelo que vem fazendo nesta temporada. No feminino, a disputa deve ser mais equilibrada. A chinesa Mengtao Xu é favorita, mas vê as australianas e norte-americanas também cotadas para o ouro.

Moguls: os favoritos são os atletas da América do Norte. Entre as mulheres, Hannah Kearney, dos EUA, lidera seu país no duelo contra o Canadá das irmãs Chloe e Justine Dufour-Lapointe - as três dominam o pódio de moguls nos últimos anos. Entre os homens, o principal nome é o canadense Mikael Kingsbury, mas ele enfrenta a concorrência do norte-americano Patrick Deneen.

EsquiCross: campeã olímpica, a canadense Marielle Thompson entra como favorita ao título mundial de 2015, enquanto que a última campeã do mundo, a suíça Fanny Smith, tenta recuperar a boa fase. No masculino, Jean Frederic Chapuis, campeão mundial em 2013 e medalhista olímpico, é o mais cotado.

Esqui Slopestyle: é uma das provas mais inesperadas do Mundial. Por exigir uma boa sequência de saltos e acrobacias nos obstáculos, não é raro acontecer surpresas como a que tivemos nos Jogos de Sochi. A alemã Lisa Zimmerman atual campeã da Copa do Mundo, e o australiano Russ Henshaw, campeão mundial em 2011, são apontados como os principais nomes na disputa.

Halfipe: destaque para Virginie Faivre, da Suíça, favorita para conquistar o bicampeonato mundial - ainda mais depois de estar totalmente recuperada de lesão. Entre os homens, a prova está aberta, mas os atletas norte-americanos, liderados por Kyle Smaine e Walter Wood, são bem cotados.

Slopestyle/Big Air: também são duas provas imprevisíveis, mas o finlandês Roope Tonteri, o belga Sepp Smits e o norte-americano Ryan Stassel estão bem cotados entre os homens. No feminino, Ty Walker, dos EUA, Sarka Panchochova, da República Tcheca, e Aimee Fuller, do Reino Unido, são as favoritas.

Snow halfpipe: olho na australiana Torah Bright, dona de duas medalhas olímpicas. Ela entra como favorita no halfpipe e deve travar uma batalha caseira contra Holly Crawford. No masculino, o atual campeão mundial Iouri Podladtchikov, da Suíça, defende seu triunfo apesar de estar se recuperando de contusão.

Snowboardcross: o time feminino do Canadá é muito forte. Puxadas por Dominique Maltais, o país norte-americano espera conquistar mais um título mundial e voltar ao topo do esporte, ocupada por Eva Samkova, da República Tcheca, campeã olímpica em Sochi. Entre os homens, Pierre Vaultier, ouro olímpico, deve travar um duelo particular com o bicampeão mundial Alex Pullin, da Austrália.

Paralelo: a boa fase joga a favor da suíça Patrizia Kummer. Ela é figura constante nos pódios da Copa do Mundo da modalidade e entra para brigar pelo ouro. No masculino, a disputa gira em torno de três nomes: o esloveno Zan Kosir, líder da atual temporada, o italiano Roland Fischnaller, vice-líder, e o campeão olímpico Vic Wild, da Rússia.

E o Brasil?

Isabel Clark e Wesley Huntington (Reprodução)

O Brasil estará presente com duas atletas, ambas no snowboard. A delegação é encabeçada por Isabel Clark, 38 anos, e principal nome dos esportes de inverno do país. Competidora experiente, ela tenta se manter na elite do snowboardcross. Sua melhor colocação foi a 12ª posição conquistada no Mundial de 2001. Ela tem totais condições de repetir a marca, mas se posicionar entre as 18 melhores do mundo já é uma excelente colocação. 

No snowboard slopestyle a representante brasileira será Wesley Huntington, 28 anos. A atleta é filha de brasileiros e nasceu nos EUA. Na adolescência ela competia em provas regionais nos EUA, mas ficou parada por cinco anos até ser "descoberta" pela CBDN. Voltou a competir no ano passado e já conquistou a segunda posição no sul-americano. É a sua estreia em Mundiais. 

Presente nos Mundiais de esqui livre em 2011 e 2013, o Brasil não enviará atletas nesta edição. Lucas Vianna, competidor do esqui slopestyle, deu um tempo na carreira. Já Josi Santos, no esqui aerials, segue focando nos treinos neste ciclo olímpico.

O primeiro desafio começa nesta quinta-feira, dia 15, a partir das 10h no horário brasileiro de verão. Isabel Clark é a primeira a largar na tomada de tempo para definir as 24 finalistas do snowboardcross. Caso avance à final, ela volta à pista na sexta-feira. Já Wesley compete na qualificação do slopestyle no dia 19, com final marcada para o dia 21.

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