Destino

Em São Roque, mostrando habilidade para a CBDN (Reprodução)

A eliminação no slopestyle pode ter sido o fim da linha para a brasileira Wesley Huntington no Mundial de Snowboard em Kreischberg, na Áustria (apesar de estar cotada para participar do Big Air nesta sexta, seu nome não aparece na lista de largada da prova). Entretanto, é apenas o recomeço de sua vida na atleta e exemplifica de como o destino pode interferir na vida das pessoas.

Tudo começou em maio de 2014. Gerente do bar Prost, em Frisco, Colorado, ela já havia desistido da carreira de atleta de snowboard. Cuidava apenas do estabelecimento e de sua vida, até que duas pessoas resolveram entrar para tomar alguns drinques e jogar conversa fora. No caso, um bate-papo sobre a participação brasileira nos Jogos Paralímpicos de Sochi.

Não eram pessoas comuns, evidentemente. Um deles era Ken Koeppe, responsável pelo treinamento de André Cintra no snowboard. O outro era Dan Gale, diretor de um projeto de esportes radicais para deficientes no estado norte-americano e contratado pela CBDN para treinar e coordenar as atividades rumo aos Jogos de Sochi.

Por que eles escolheram justamente o Prost para conversar? E por que falar de trabalho e da aventura de um país tropical nos esportes paralímpicos de inverno em um balcão de bar?

"Eu ouvi eles falarem sobre os treinos de um time brasileiro em Sochi. Na hora interrompi e questionei sobre o tema, pois nunca tinha ouvido falar da existência de um time brasileiro de snowboard. Já estava planejando visitar o Brasil para visitar minha família na primavera [outono para nós]. Depois disso, eles enviaram alguns e-mails e me colocaram em contato com a CBDN", comentou Wesley com exclusividade ao Brasil Zero Grau.

O interesse pelo Brasil é legítimo. Wesley Huntington nasceu e cresceu em Ohio, nos EUA, mas é filha de um brasileiro que foi ao país norte-americano fazer faculdade e constituiu família. Seu irmão, inclusive, fez o caminho inverso e hoje mora no Brasil. Assim, pelo menos uma vez por ano ela vem visitá-lo e conhecer mais sobre suas origens.

Na última visita, em 2014, ela desembarcou na sede da CBDN. Fazia cinco anos que ela não competia, mas os esportes de neve sempre fizeram parte de sua vida: a família da mãe operava duas das cinco áreas de esqui em Ohio. Com quatro anos, começou no esqui, mas com oito descobriu o snowboard. "Imediatamente eu fiquei apaixonada pela modalidade e esse amor continua até hoje", brincou.

Viveu intensamente o esporte até 2009, quando resolveu dar um tempo e seguir sua vida. Entretanto, a conversa com a CBDN a recolocou na rotina de treinos e disputas.Em agosto já estava na disputa do Sul-americano nos resorts chilenos e conquistou o vice-campeonato - nada mal para quem não competia há cinco anos! O bom desempenho empolgou tanto Wesley quanto a CBDN, fazendo com que a jovem de 28 anos mudasse seus treinos. 

"Como escolhi minha profissão baseado nos hábitos do snowboard, eu consigo treinar bastante. Eu pratico durante o dia e trabalho no bar por cinco noites na semana. Consigo descansar quando preciso e tento ir para academia sempre que posso - pelo menos duas vezes por semana -, além da yoga antes de dormir e depois de acordar". 

Mesmo presente no Mundial logo na sua primeira temporada, Wesley quer aprender e redescobrir o prazer de competir. Seus planos atingem os próximos três anos: os Jogos Olímpicos de Pyeongchang, em 2018. "Desde que eu era criança meu sonho era ir para as Olimpíadas. Minha meta é representar o Brasil na Coreia do Sul".

Para isso, ela conta com o apoio de amigos e parceiros. Uma amiga, dona do Dose Apparel Clothing Company, desenhou uma coleção de camisetas inspiradas na brasileira e o valor arrecadado com as vendas ajudarão a atleta a pagar as constantes viagens para competições (você pode comprar aqui). Além disso, o bar onde ela trabalha fez uma festa de lançamento das roupas e também ajudou a custear as passagens de Wesley ao reverter uma porcentagem da venda de cerveja para a jovem. Além disso, conta com apoio da Crossfit Low Oxygen Gym, também em Frisco.

Destino, sorte ou coincidências. Qualquer que seja o nome que você dê a isso, o fato é que o Brasil descobriu mais uma atleta talentosa nos esportes de inverno e que sente orgulho de dizer a todos que é uma honra competir e representar este país tropical. 

Veja mais alguns cliques de Wesley Huntington:

Promovendo a coleção de camisas (Reprodução)

Com o irmão, no Brasil (Reprodução)

Selfie no Mundial, em 2015 (Reprodução)

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