Do pranto fez-se o riso

Giulia Flemming (Arquivo Pessoal)
"De repente do riso fez-se o pranto". Essa é apenas uma das belas frases imortalizadas pelos sonetos de Vinicius de Moraes. Entretanto, neste post, ouso inverter a lógica do poetinha. Até porque a história de Giulia Flemming na patinação artística no gelo é do pranto que se fez o riso. 

A brasileirinha de 12 anos é uma das integrantes da seletiva da modalidade, que começará nesta segunda-feira, dia 21, e termina na sexta-feira, dia 25. Além dela, estarão presentes os já conhecidos Luiz Manella e Isadora Williams e as promessas Karolina Calhoun, Maria Eugênia Lopes e Amanda Kalluf. 

E pensar que a patinação entrou na vida de Giulia e toda a família Flemming em um momento de tristeza. Nascida em Campinas, no interior paulista, mudou-se com a família em 2009 para os EUA. Com sete anos na ocasião, ela estava triste por ficar longe das amigas e dos avós. Para distraí-la, os pais resolveram levá-la para um rink de patinação. Conseguiram mais do que isso!

"Eu me apaixonei pelo esporte desde quando patinei pela primeira vez. Ganhei meu primeiro par de patins do meu tio Pete e quando comecei a fazer aulas de 'Learn to skate', uma técnica falou que eu levava jeito", confirmou a jovem ao Brasil Zero Grau. 

Nascia ali a carreira de uma promissora atleta brasileira de patinação no gelo. Em duas temporadas ela já conquistou seis medalhas de ouro em torneios para jovens atletas nos EUA. Nos Regionais do ano passado (uma espécie de classificatória para a disputa nacional), ficou na oitava posição - no que considera seu maior momento na carreira até aqui. 

Também passou de nível seis vezes (na patinação os atletas são divididos por níveis e precisam fazer testes com os elementos permitidos em cada etapa para subir na modalidade). Ela saiu do básico 7 para o juvenil, numa escalada surpreendente mesmo para quem aprende a patinar bem antes.

Os números são excelentes, mas ainda ignorados pela grande maioria dos brasileiros. Esse período de treinos ao lado de seus compatriotas em Little Falls, próxima à Nova York, é a grande chance de aparecer para os torcedores, imprensa e patrocinadores. 

Posando para fotos (arquivo pessoal)
"Estou muito feliz por ser convidada. É bom quando os treinos intensos produzem resultados e o esforço é reconhecido", confirma. 

E bota esforço nisso. Giulia treina no rink três horas por dia, das 6h às 9h, e ainda combina com aulas de ballet, saltos e condicionamento físico. Só consegue conciliar os treinos com a atividade escolar porque a própria escola permitiu que ela entrasse mais tarde por conta das excelentes notas conquistadas.

Fã do patinador norte-americano Jason Brown, Giulia já traça planos ousados para o futuro. No mês que vem fará os testes para a categoria intermediária, onde tentará subir de nível mais uma vez. Além disso, já começou a treinar elementos para a categoria noviço, a antepenúltima antes do topo. 

"Pretendo desenvolver mais 'power' e componentes artísticos nas minhas apresentações. Vou continuar com os trabalhos que estou fazendo e com foco em aprender novas técnicas e habilidades. Tenho certeza que com dedicação, os resultados virão naturalmente".

Relação com o Brasil

A única lamentação da adolescente é não conseguir visitar o país natal com a frequência que gostaria. A última vez que esteve por aqui foi três anos atrás. "É mais fácil meus avós nos visitarem do que termos que comprar passagem para quatro pessoas. Mas os meus pais estão vendo a possibilidade de irmos neste Natal", afirma a jovem, fã das praias e da comida brasileira.

Mesmo assim, seus maiores sonhos envolvem o país. Quer disputar os Jogos Olímpicos, seguindo os passos de Isadora Williams. "Ela abriu um grande caminho para todos nós e espero que as próximas gerações possam fazer o mesmo para que o esporte seja cada vez mais popular entre os brasileiros". 

Além disso, também quer patinar em uma arena olímpica no solo brasileiro. A única experiência que teve não foi das melhores. "Patinei uma vez num shopping em São Paulo e não consegui sair do lugar! O gelo não tem qualidade, é irregular e o espaço é muito pequeno para poder efetuar qualquer salto. Gostaria de ver outras crianças no Brasil tendo a mesma oportunidade que estou tendo agora. Com a divulgação do esporte, espero que seja possível em breve".

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