Vida além dos Jogos - Neve #1

Por conta dos Jogos Olímpicos de Inverno em Sochi, eu acabei deixando de lado um pouco os atletas brasileiros que estavam competindo em outras modalidades de inverno ao longo das últimas semanas de fevereiro. Você pode não acreditar, mas existe vida além das Olimpíadas e a prova disso é que os esportes de inverno não interrompem seu calendário por conta do grande evento. 

Mas reuni todos os detalhes e dividirei em três partes: na primeira, os resultados dos atletas de neve adultos, na segunda os atletas de neve jovens e, por fim, o encerramento da temporada de Flávio Macedo no luge natural, a única modalidade de gelo que continuou na disputa. Agora, vamos aos resultados dos adultos da CBDN que não estiveram em Sochi. 


Esqui Alpino

Chiara Marano, que poderia muito bem ter ido para Sochi (brigou ponto a ponto com Maya Harrisson pela única vaga brasileira na modalidade), participou de duas provas em Courmayeur, na Itália, mas não teve tanta sorte. 

Chiara Marano durante treino (Reprodução)
No dia 20, ela competiu no slalom gigante, mas não conseguiu encerrar a primeira descida e ficou de fora da classificação final. A vencedora foi a italiana Anna Hofer, com 1min47seg05. Um dia depois, no slalom, a brasileira não encerrou a segunda descida e também não somou pontos FIS. A francesa Josephine Forni venceu com 1min33seg86. 

Guilherme Grahn, cotadíssimo para os Jogos de 2018, competiu em duas provas, uma na Suécia e outra na Noruega. No dia 22, em Sunne (Suécia), o jovem participou de uma prova de slalom. Ele ficou na oitava posição, com 1min38seg53 e 61.45 pontos FIS. É a melhor marca da carreira de Guilherme no slalom. Ao todo, 28 atletas completaram as duas descidas e o vencedor foi o sueco Dan Axel Grahn, com 1min31seg89. 

No dia 23, em Hakadal, na Noruega, o brasileiro competiu no slalom gigante. Ele conseguiu outra boa marca ao ficar na 44ª posição com o tempo de 2min08seg65 e 64.34 pontos FIS. Sessenta e dois atletas terminaram as duas descidas e o vencedor foi o norueguês Kristoffer Berger, com 2min02seg95. 

Para encerrar no esqui alpino, Tobias Macedo competiu em três provas não oficiais no Oregon, nos EUA. Duas delas no dia 15 de fevereiro e outra no dia 22. Em todas ele conseguiu atingir o pódio. 

No slalom gigante do dia 15 o brasileiro foi o segundo colocado, com 45seg96, menos de meio segundo atrás do vencedor, Jack Botti (apenas uma descida foi realizada). Mais tarde, no slalom, Tobias deu o troco: venceu com 1min25seg14, mais de três segundos à frente de Botti. Na última disputa, porém, o norte-americano levou a melhor. Novamente no slalom gigante, Botti venceu com 1min23seg00 e o jovem brasileiro ficou em segundo, com 1min24seg22. 


Cross-Country

Leandro Lutz na Letônia (Reprodução)
Leandro Lutz e Leila Mostaço aproveitaram o período olímpico para se aperfeiçoarem no esqui cross-country e, ainda por cima, registrarem marcas históricas. Leandro competiu de quatro provas na Letônia e Leila esteve presente na América do Norte. 

O brasileiro fez uma mini temporada e participou de quatro provas nacionais em 11 dias. A primeira delas, no dia 15 de fevereiro, foi uma prova de 10 quilômetros no estilo clássico. Ele ficou na 44ª posição com o tempo de 37min49seg2 e 351.54 pontos FIS. O vencedor foi Alvar Alev, da Estônia, com 27min20seg8 e 51 atletas completaram a prova. 

No dia 16, Leandro conseguiu estabelecer a melhor marca da carreira em torneios europeus nos 10 quilômetros em técnica livre. Ficou na 52ª posição com 33min31seg0 e 327.28 pontos FIS, a menos de quarenta segundos do que seria o índice B olímpico. O vencedor foi o canadense Raphael Couturier com 24min41seg1. 

Nos dias 19 e 20, mais duas provas. A primeira delas foi sprint livre e o atleta ficou na 132ª e última posição com 4min49seg33 e 614.68 pontos FIS. O vencedor foi o norueguês Haavard Taugboel. Para encerrar, uma prova de 15 quilômetros técnica livre e ele ficou na 108ª e última posição, com 51min21seg2 e 456.19 pontos. O vencedor foi Daniel Helgestad, da Noruega, com 33min18seg9. 

"Depois de uma longa temporada de treinamentos e muito foco e dedicação, competi em fevereiro na Letônia em 4 competições de Cross Country Ski e os resultados estão de acordo com meus planejamentos de curto, médio e longo prazo! Foram 4 competições em apenas 11 dias de neve/treinos, competindo com atletas de nível mundial (e que competem em Copas do Mundo de XC)", escreveu o atleta no Facebook. 

Leila Mostaço (Reprodução)
Enquanto Leandro corria contra o tempo na Letônia, Leila Mostaço mostrava fôlego nos EUA. No dia 16, ela competiu no US Super Tour 5 quilômetros técnica livre e ficou na 14ª e última posição, com o tempo de 25min13seg8 e 593.05 pontos FIS. A vencedora foi a americana Caitlin Gregg, com 15min00seg0. 

Mas a principal prova de resistência aconteceu no dia 22. A atleta que sonha com os Jogos de 2018 competiu no American Birkebeiner, uma prova com incríveis 52 quilômetros de esqui cross-country! Uma verdadeira maratona!

O relato bem legal da atleta você encontra no blog dela (clique aqui). Se 15 quilômetros já vemos atletas desgastados nos Jogos Olímpicos, imagina 52 quilômetros com mais de quarenta trechos de subidas!

E aos trancos e barrancos ela conseguiu terminar a prova. Fez o trajeto em incríveis 5h27min05seg7. Terminou na 46ª posição na sua faixa etária (30-34 anos), foi a 432ª entre as mulheres e 2720ª na classificação geral. No total, 10 mil atletas se inscreveram para a disputa. Bom, fôlego é o que não falta para Leila buscar a próxima Olimpíada!


Snowboard

Para encerrar o giro de resultados, hora de falar de quatro revelações do snowboard brasileiro: Lucas Rezende, Rafael Rennó, Isis Dassow e Amaury Rosa. Eles competiram em provas nos EUA e também somaram bons resultados. 

Lucas e Rafael competiram em duas provas de snowboardcross no Rocky Mountain Series entre os dias 8 e 9 de fevereiro. Na primeira delas, Rafael ficou na 14ª posição, com 425 pontos, e Lucas foi o 16º, com 355 pontos. O vencedor foi o americano Cole Schreiber. 

Isis Dassow (Reprodução)
Um dia depois, com menos competidores, os brasileiros melhoraram. Rafael ficou na quarta posição, com 810 pontos no ranking, e Lucas foi o sétimo, com 630 pontos. O vencedor foi Schuyler McFall. 

No dia 15 foi a vez de Isis Dassow estrear na temporada. Uma das apostas da CBDN entre as mulheres, a brasileira participou de uma prova de banked slalom no Rocky Mountain Series. Ela ficou na quarta posição, com 38seg20, num total de seis competidoras. A vencedora foi Tori Koski, com 33seg23. 

Depois, nos dias 22 e 23, ela participou de três provas de snowboardcross no Aspen/Snowmass Series. Nas três provas ela competiu com rivais da categoria master e senior e acabou conquistando três vitórias na categoria aberta. Ela mesma se referiu como a medalha de ouro mais fácil, mas mesmo assim tem o que comemorar: o segundo melhor tempo entre todas as mulheres de todas as faixas etárias.

E no dia 25 foi a vez de Amaury Rosa competir na prova FIS de slopestyle em Mammoth Mountain, nos EUA. Ele acabou ficando na 101ª posição, com 15 pontos na sua apresentação e na frente de um rival. Ele não somou pontos para o ranking. O vencedor foi Brandon Davis, dos EUA, com 94.50 pontos.

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