Emocionante

André Cintra durante a prova (Márcio Rodrigues/CPB/MPIX)

A emoção foi tanto pelo resultado quanto pela entrevista pós-evento. André Cintra competiu nesta sexta-feira na prova de snowboard adaptado nos Jogos Paralímpicos de Sochi e pode deixar a Rússia tranquilo e feliz: cumpriu sua missão. 

Missão que começou oficialmente em 2012, quando foi até o Valle Nevado e participou do Open de Snowboard da CBDN mesmo sem ter uma prótese adequada. Embarcou no projeto da confederação com o Comitê Paralímpico Brasileiro e conseguiu a vaga paralímpica - a primeira do país na história do evento!

Mas para André começou quando ele tinha 18 anos e perdeu a perna direita num acidente de moto. A família temia pelo futuro do jovem, mas o esporte, como sempre, desempenhou seu papel social. Praticante de kitesurf, wakeboard, corrida e agora snowboard, não só conseguiu viver como se transformou em um atleta internacional.

"Quando perdi minha perna, meu pai ficou muito mal. Eu gostaria muito que ele e minha mãe estivessem aqui para ver tudo isso. Na época do acidente, eles ficaram preocupados que eu não tivesse uma vida normal ou boa. E, agora, anos depois, estou em um dos melhores lugares do mundo", comentou André, que contou com a presença dos irmãos mais novos e da tia no Rosa Khutor, em Sochi. 

Na sua estreia em Jogos Paralímpicos, ficou na 28ª posição, na frente de outros cinco competidores, com o tempo combinado de 2min42seg07, quase um minuto atrás do norte-americano Evan Strong, medalhista de ouro. Os EUA, aliás, garantiram um pódio triplo, com a prata de Michael Shea e o bronze de Keith Gabel. 

A dupla (André Basil/CPB/MPIX)
O snowboard fez sua estreia paralímpica em Sochi e, por conta disso, não houve diferença de categoria entre AK (amputados acima do joelho) e BK (amputados abaixo do joelho). A diferença é enorme: houve 28 atletas de BK e seis atletas de AK, entre eles o brasileiro. 

Os atletas amputados abaixo de joelho possuem mais vantagem por terem uma articulação a mais. Se houvesse uma diferença de categoria, André seria o terceiro colocado, mostrando o bom desempenho que obteve em 2014. 

"Estou com uma sensação muito boa. A coisa mais importante era trazer a bandeira do Brasil para cá pela primeira vez. É claro que também podemos melhorar. Na minha primeira descida, estava muito nervoso. Vi os melhores do mundo caindo. Na segunda e na terceira, o corpo estava mais quente e mais rápido. Já sabia onde estava errando e como podia consertar", afirmou no release da CBDN.

Bandeira que ele carregou na Cerimônia de Abertura em Sochi e que certamente estará presente em outros Jogos Paralímpicos graças aos esforços de André Cintra e Fernando Aranha em 2014. Este último, aliás, fará a despedida brasileira no domingo, na prova de média distância 10 quilômetros no esqui cross-country LW10-12.

Veja a entrevista após a prova de André Cintra e tente não se emocionar quando ele fala da família!

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