Pistas traiçoeiras - Sochi #4

Jamie Anderson ainda cometeu um deslize (Cameron Spencer/Getty Images)

Às 7h15 eu iria comentar a final do snowboard slopestyle feminino na Record News e deveria acordar cedo para chegar com antecedência. Mas acordei cedo demais. Era 4h30 da madrugada quando resolvi levantar para acompanhar a prova do downhill masculino, responsável por abrir as disputas de esqui alpino. 

O esporte é um dos mais tradicionais e a cara dos Jogos de Inverno. O downhill, por sua vez, é a prova mais rápida e arriscada. É por conta disso que resolvi sacrificar algumas horas de sono. 

Pude constatar que as pistas projetadas para os Jogos de Sochi  realmente são cheias de perigos e nuances. Alguns atletas considerados favoritos sucumbem e veem a consagração olímpica escapar num tombo, numa curva ou num salto. 

Bode Miller e Aksel Lund Svindal eram os grandes favoritos ao ouro, mas ficaram de fora do pódio. O primeiro, norte-americano, ainda falou que o mais importante era sobreviver. O segundo ficou na quarta posição e viu um pódio totalmente inesperado.

A vitória, vejam vocês, ficou com o austríaco Matthias Mayer, 23 anos, e que sequer entrava na lista de cotados. Ele conseguiu 2min06seg23 na sua descida. No Mundial do ano passado, para se ter uma ideia, o atleta foi apenas o 13º. O italiano Christof Innerhoffer voltou a fazer um bom resultado após o bronze no Mundial de 2011 e ficou com a prata. O bronze foi para o norueguês Kjetil Jansrud. 

Depois, embarquei rumo aos estúdios da Record News. Havia uma certa expectativa com a prova do snowboard slopestyle feminino após a zebra ter passeado entre os homens. Com rampas altas e arriscadas, os favoritos sucumbiram para o norte-americano Sage Kotsenburg, mais regular e seguro. 

E parece que ele ensinou bem aos compatriotas. Jamie Anderson, que já havia realizado um ótimo salto na classificatória, fez 95.25 pontos na sua segunda descida e garantiu a dobradinha dos EUA no primeiro pódio olímpico da modalidade. 

Não dá, porém, para falar em zebra nesse caso. Apesar de não ser muito cotada antes da prova (sobretudo diante do desempenho recente de Spencer O'Brien), ela era vice-campeã mundial de 2012. A prata foi da finlandesa Enni Rukajarvi e o bronze ficou para a britânica Jenny Jones, outra zebra. Foram as primeiras medalhas de Finlândia e Reino Unido.

Ainda no slopestyle, uma imagem impressionou. Sarka Pancochova, que terminou na quinta posição por conta da sua primeira apresentação, caiu e bateu forte a cabeça na neve na segunda descida. Felizmente não aconteceu nada com a atleta, mas o capacete dela chegou a rachar com o impacto. 

No Skiathlon 15 quilômetros masculino não houve espaço para zebras. Atual campeão mundial da prova, o suíço Dario Cologna venceu com 1h08min15seg4 graças a um sprint nos últimos mestres. Ele ficou 0.4 segundos à frente do sueco Marcus Hellmer, o último campeão olímpico. O bronze foi para o norueguês Martin Sundby, vice-campeão mundial. Detalhe que essa medalha foi decidida por 0.1 segundos, com o russo Maxim Vylegzhanin ficando na quarta posição. 

Nos 3 mil metros feminino da patinação por velocidade, a multicampeã Irene Wust, da Holanda, conquistou a medalha de ouro com 4min00seg34, seguida de perto pela sua maior rival, a tcheca Martina Sablikova, com 4min01seg95. O bronze foi da russa Olga Graf, com 4min03seg47.

Foi a primeira medalha do país-sede. Já estamos no quarto dia de Sochi-2014 e até o momento o país conquistou apenas um bronze. A liderança do quadro de medalhas é da Noruega, com dois ouros e cinco no total. EUA e Holanda vêm logo atrás, também com dois ouros. Onze países já conquistaram medalhas.

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