Pedra fundamental

Isadora manda beijos para a torcida (reprodução/Facebook)

Quando entrou no rink do Palácio de Patinação Iceberg para realizar sua apresentação do programa curto nos Jogos Olímpicos de Inverno, a jovem Isadora Williams carregava nas costas o peso de ser a primeira representante do Brasil na história olímpica da patinação artística no gelo. 

Ela esperava retribuir essa honra com mais uma bela exibição e avançar para o programa longo. Para isso, teria que ficar entre as 24 melhores num total de 30 competidoras presentes. 

Diante de tanta responsabilidade, a brasileira não conseguiu desenvolver seu programa, cometeu algumas falhas e ficou na 30ª e última posição, com 40.37 pontos (18.93 nos elementos técnicos e 21.44 na composição). A vencedora do primeiro dia foi a coreana Yuna Kim, com 74.92 pontos, seguida de perto pela russa Adelina Sotnikova e a italiana Carolina Kostner. 

Perfeccionista e dedicada, ela não conseguiu segurar o choro no fim. Sabe que poderia render mais. Aliás, queria render mais. Poucos sabem o quanto a atleta lutou para chegar até os Jogos Olímpicos. Driblou a falta de patrocínio, o preconceito de certas pessoas e até uma rotina pesada que inclui treinos de ballet, patinação, musculação, entre outras atividades. Queria poder mostrar ao mundo seu amor pelo Brasil. Um amor que supera fronteiras e que a guiou desde quando virou atleta de patinação, alguns anos atrás.

Consolada pelo técnico Andrey Kriukov (Reprodução)
Se não deu dessa vez, o jeito é seguir em frente. Até porque nem mesmo as falhas e muito menos a última posição apagam o brilho da trajetória de Isadora Williams na modalidade. Medalha de bronze no Golden Spin de Zagreb, primeira brasileira classificada para os Jogos Olímpicos e dona da melhor marca do país em Mundiais, a jovem de 18 anos ainda tem muito o que evoluir e aprender. 

É apenas o início de uma trajetória de sucesso para Isadora e também para a patinação artística no gelo aqui no Brasil. Ela faz parte daquele seleto grupo de pioneiros que de vez em quando surgem no esporte brasileiro para quebrar paradigmas. Tal qual uma pedra fundamental, lançou as bases para que o esporte possa crescer de fato.

Estrutura para isso já temos: público fiel e apaixonado, com escolinhas espalhadas sobretudo no Rio de Janeiro. Temos associações que lutam pela modalidade e uma jovem geração de atletas talentosos para servir de espelho (Luiz e Kevin no masculino, Karolina Calhoun surgindo no feminino). Basta a CBDG aproveitar a onda e construir todo esse cenário. 

Pode chorar, Isadora, mas de alegria. Você já é uma atleta olímpica e entrou de vez para a história do esporte brasileiro.

2 comentários:

  1. parabéns Isadora vc já fez história no esporte brasileiro ! siga em frente ! vc plantou uma sementinha tenho certeza que vai vingar ! em 2018 quero tiver acompanhada do luiz manella e da karolina calhoun levando as cores do Brasil para a terra de yuna kim em pyeongchang 2018 !

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