O peso de Isabel

Reprodução/Facebook
Costumo brincar que vida de atleta não é fácil. De esporte de inverno então, mais difícil ainda. Mas se você tiver tudo isso e ainda ser cobrada por resultados, significa que você vive num ambiente extremo e muito estressante. 

Pois esse é o mundo de Isabel Clark. 

Tudo começou lá atrás, em 1995, quando a carioca de 18 anos viu neve pela primeira vez ao visitar o irmão e resolveu embarcar para o primeiro campeonato brasileiro de snowboard, na Argentina. Venceu todos e encantou os diretores da CBDN, organização esportiva que ainda engatinhava no Brasil. Afinal de contas, em 1998 o snowboard passaria a ser esporte olímpico e aquela menina carioca, que adora andar de skate e surfar, levava jeito para coisa. 

As primeiras competições internacionais foram tímidas, como todo resultado brasileiro em esportes de inverno. Até que o snowboardcross passou a ser esporte olímpico e Isabel, já nem tão menina assim, viu ali a oportunidade de seguir com a vida de atleta na neve. 

Fatos que culminaram na nona posição dos Jogos de Inverno de 2006, a melhor posição brasileira na história. 

O resultado trouxe fama, reconhecimento e até algo raro nesse meio: patrocinadores. Isabel poderia continuar viajando para as melhores provas do mundo e seguir evoluindo, apesar de não ser mais aquela menina de 18 anos em 1995. Tudo isso era muito bom. 

Mas junto com os benefícios vieram as dúvidas. E questionamentos. Os pessimistas pensavam se valia a pena o Brasil investir em esportes de inverno após uma participação ruim da brasileira. O contrário também é válido: a prova dela serve como alento para outras modalidades e atletas de inverno por aqui. 

Isabel Clark virou uma espécie de termômetro. Quando ela está mal, aumentam os questionamentos. Quando está bem, sobram elogios.Virou até um sinônimo de esportes de inverno no Brasil. Ninguém lembra de esporte algum, mas sabe "que tem aquela brasileira lá, que compete na prancha". Como estamos acostumados a atrelar felicidade com dinheiro e sucesso, e não com a realização pessoal, a brasileira é a mais próxima disso para nó. Por isso tanta pressão por um bom resultado dela em Sochi. Isabel QUASE chegou lá em 2006. Na nossa cabeça, pode chegar lá em 2014. 

Mas ignoramos completamente que Isabel fica oito meses do ano longe da família e dos amigos, que vive num ritmo de competição intensa com as melhores do mundo e que já não é mais aquela menina e outrora (37 anos). São variáveis que ninguém leva em consideração e que afetam, e muito, o desempenho de cada atleta. 

"Estou mais experiente, mais forte e com melhor técnica. Aumentei minha confiança e a performance nas últimas etapas e me fez acreditar que meu nível é alto e competitivo em relação às melhores atletas do mundo", comentou a atleta pela CBDN.

Neste domingo, Isabel Clark disputará sua terceira Olimpíada de Inverno no snowboardcross. A prova começará às 2 ou às 3h (estou confuso com relação aos horários). Se vai repetir 2006 ou 2010 só o tempo dirá. Agora, resta-nos apoiar a atleta e não colocá-lo todo o peso do país nas suas costas. Vai, Isabel!

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