Nada grave

Fabiana e Larissa momentos antes do acidente (Lionel Bonaventure/AFP/Getty Images)

As imagens realmente são impressionantes e chocantes. Após escapar numa curva durante os treinamentos de bobsled feminino, as brasileiras Fabiana dos Santos e Larissa Silva bateram a cabeça na parede da pista durante os Jogos Olímpicos de Inverno. Elas acertavam os últimos ajustes do trenó antes da competição, que começará no dia 18.

Felizmente as atletas não sofreram nenhum ferimento e já se declararam aptas para realizar mais treinamentos e as provas (veja vídeo postado pela CBDG logo abaixo). Fabiana, inclusive, passou pelo segundo acidente feio: em 2011 chegou a bater o rosto no gelo. É compreensível tamanho esforço: foram meses de luta para chegar às Olimpíadas e realizar esse sonho que já dura quatro anos. 

E elas sabem que somente competindo poderão reverter esta má impressão causada no público. Acidentes são comuns no bobsled, inclusive com equipes campeãs mundiais (que o diga o norte-americano Steven Holcomb, favorito ao ouro e que se acidentou no início deste ano). A experiência ajuda, sem dúvida, mas não é garantia de uma prova sem qualquer lesão. 

Infelizmente, aqui no Brasil, é de praxe analisar qualquer desempenho apenas pela primeira impressão que temos do fato. Não importa se todo o contexto é diferente ou se até mesmo a história se desenvolve de outra maneira. Não. Aqui o que conta é o primeiro contato e com ele já passamos a  condenar pessoas com o rigor de um juiz. 

Claro que o equipamento brasileiro é de segunda linha. É óbvio também que nossos atletas não tem a mesma experiência que outros competidores. E todos sabem que eles não disputarão medalhas. Mas a graça da Olimpíada é justamente essa, não é mesmo? Onde foi parar aquele lance de que o importante é competir e não vencer?

Até porque o Brasil fez por merecer esta classificação olímpica. Teve uma última temporada estafante e conseguiu atingir o índice olímpico na pista. Não houve convite ou algo do tipo. Não há uma disparidade técnica grande. Apenas uma atleta que forçou demais na curva e pagou o preço por isso. Nada demais. 

Felizmente o acidente não foi grave e vai servir de lição para as brasileiras. Espero, apenas, que isso não diminua o ímpeto da equipe, pois qualquer milésimo de segundo será vital para colocar as brasileiras mais próximas das melhores do mundo.

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Isabel Clark

Tivemos notícias boas também neste domingo. A brasileira Isabel Clark, grande nome da delegação brasileira, terminou na 14ª posição da prova de snowboardcross. Ela se envolveu numa queda e poderia muito bem ter chegado entre as doze semifinalistas. 

A vencedora da prova foi a tcheca Eva Samkova. A canadense Dominique Maltais, favorita ao ouro, ficou com a prata e a grande surpresa, a francesa Chloe Trespeuch, terminou com o bronze. A prova, aliás, foi marcada por muitos tombos e quedas, inclusive da campeã mundial - a canadense Maelle Ricker estava na bateria da brasileira. 

O dia começou perfeito, com Isabel conseguindo terminar entre as 12 melhores e garantir vaga nas quartas de final logo de cara. Mas a partir daí a situação mudou um pouco. Presente na segunda bateria das quartas, a atleta largou mal e precisou realizar uma prova de recuperação. Quando ela já estava para entrar no grupo das três primeiras, acabou se desequilibrando com uma queda a sua frente e ela mesmo caiu ao solo. Levantou, terminou a prova, mas a distância já era considerável.

"Fiquei triste quando caí, porque sabia que era possível passar para as semifinais e brigar para chegar à final. Eu estava me sentindo bem, contente com a minha adaptação e fiz bons treinos. Mas a pista estava bem exigente e aconteceram várias quedas. Eu me desconcentrei um pouco quando uma menina caiu na minha frente. Sei que representei bem o Brasil. Poderia ser melhor, mas o snowboard cross é assim mesmo, uma competição muito dura e imprevisível", afirmou a carioca pelo release da CBDN.

Com 37 anos, resta saber agora qual será o futuro da brasileira. Talento para esbanjar em mais um ciclo olímpico ela tem, com certeza. Resta saber quais são as preferências da própria Isabel para os próximos anos.

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