Balanço - Emílio Strapasson

Emilio em Sochi (Reprodução)
Primeiro tenho que agradecer à RP Marina Konig, da CBDG. Quando ainda pensava em convidar os presidentes das confederações de neve e gelo para fazerem um balanço de mais uma Olimpíada, ela já trouxe não só o convite, como uma entrevista pronta com Emílio Strapasson, presidente da CBDG.

A ideia é bem simples: dar aos dirigentes a oportunidade de avaliarem os erros e acertos e mostrarem os próximos passos neste ciclo olímpico. Nesta quinta-feira será Emílio Strapasson, de gelo; amanhã é a vez de Stefano Arnhold, de neve.

Emílio Strapasson deve estar muito feliz realmente. Após duas temporadas conturbadas na CBDG, com intervenções judiciais, a entidade voltou aos Jogos Olímpicos com tudo: participações nas duas equipes de bobsled e a vaga inédita com a patinadora Isadora Williams. Os desafios, porém, prosseguem nos próximos meses. Ele ainda precisa pôr a casa em ordem e, ao mesmo tempo, desenvolver outras modalidades. Curling, hóquei no gelo e a própria patinação devem entrar no radar dos diretores. Confira a entrevista:

1. Presidente, faça um balanço sobre a participação do Brasil nas Olimpíadas de Sochi. 
As Olimpíadas de Sochi foram históricas para o Brasil, pois além de qualificar o maior numero de atletas de sua história, conseguimos também a qualificação em modalidades que nunca havíamos tido representação olímpica, como Patinação Artística e Bobsled Feminino. Não existe convite para participar das Olimpíadas e todas as vagas foram conquistadas por mérito, através ne rankings mundiais e de competições classificatórias específicas, onde os nossos atletas mostraram que evoluíram muito em um curto espaço de tempo.

2. Os resultados obtidos estão dentro das expectativas da CBDG?

Temos avaliações diferentes de acordo com a modalidade. No bobsled feminino a grande luta foi para qualificar e ganhar experiência em grandes eventos, e apesar do acidente dos treinos foi possível notar a capacidade de superação e aprendizagem das nossas atletas. Quanto à equipe masculina, conseguimos ficar entre os melhores 14 Pushs (o sprint inicial de 50m) do mundo, além de uma pilotagem excelente por parte do nosso piloto. Sobre a Isadora podemos dizer que ela não conseguiu mostrar o seu melhor programa, que com certeza a levaria às finais.

3. Em virtude desses resultados, há uma influência no planejamento da CBDG?

Certamente o próximo ciclo Olímpico será planejado levando-se em conta o que aconteceu em Sochi. Faremos uma analise das modalidades onde temos mais chances de melhorar e chegar perto das melhores equipes.

4. Como serão os próximos anos da Confederação?
A grande exposição e a excelente aceitação do público gerou um interesse que terá que ser aproveitado. Precisamos buscar novos atletas e novos patrocinadores interessados em vincular a sua marca aos esportes de inverno e aos nossos obstinados atletas que tanto nos orgulham.Tenho certeza que a CBDG crescerá exponencialmente até a Coreia do Sul e com um trabalho bem planejado teremos mais uma vez um recorde de brasileiros qualificados e algumas modalidades com resultados entre os melhores do mundo.

5. Qual vai ser a estratégia da CBDG para as Olimpíadas de 2018 ? Muitos atletas ou vai investir em poucos que tenham maior chance de classificação?
Como administramos sete modalidades olímpicas de inverno e a verba é limitada, precisamos focar nosso trabalho nas modalidades onde temos mais chances de classificação olímpica. Em algumas modalidades, como o curling, queremos abrir espaço para muitos interessados até que possamos formar a nossa nova seleção. Com relação à esportes como Patinação Artística, onde um atleta leva 10 anos de treinos para se tornar competitivo, precisamos apoiar quem já está trilhando este caminho enquanto não dispormos de um rink no Brasil. O bobsled terá apoio para aumentar o numero de trenós qualificados e aumentar a qualidade dos nossos pilotos nestes próximos quatro anos.

6. Existe algum projeto dentro da Confederação para captação de patrocínio ou apoio?
Sim, temos vários projetos contemplando diferentes fontes de captação. Encaminharemos ao Ministério do Esporte uma proposta de Convênio para a aquisição de novos trenós para este ciclo olímpico. Pretendemos também protocolar projetos para a captação de recursos via Lei de Incentivo.
Temos também o projeto Casa Brasil, onde pretendemos fazer intercâmbio de atletas brasileiros no Canadá, onde eles poderão treinar especificamente para a sua modalidade e estudar inglês. Desta formar queremos formar atletas e cidadãos, investindo em suas carreiras esportivas e seu conhecimento da língua inglesa. Este projeto iniciará em Junho e está aberto à várias modalidades. Foi firmada uma parceria entre a CBDG e o Winter Sport Institute de Calgary, um dos maiores e mais avançados centros de prática de esportes de inverno do mundo.
Enfim, estamos com gás para que este próximos anos sejam os melhores para a CBDG em termos de gestão, estrutura para os atletas e resultados nas pistas do mundo.

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