O Dia D

Lais, Josi e a bandeira: na elite (Reprodução)
A metáfora bélica casa bem com a situação. Após muito tempo de preparação, adaptação, encorajamento e determinação, as ginastas Lais Souza e Josi Santos participam da última etapa no esqui livre aerials desta temporada no sábado. 

Mas não será qualquer prova. É a última da Copa do Mundo da modalidade antes dos Jogos Olímpicos de Sochi. A última chance de somar pontos no ranking internacional e poder buscar a classificação inédita. É o torneio que dirá se todos os esforços delas e da CBDN serão recompensados. 

A etapa derradeira acontecerá em Lake Placid (EUA), num lugar de boas lembranças para os brasileiros de inverno. Foi lá, por exemplo, que as meninas do bobsled venceram as últimas disputas da Copa América e deram um passo gigante até Sochi. 

É isso o que as duas brasileiras esperam neste fim de semana. Lais Souza será a 20ª atleta a se apresentar na prova e Josi Santos, a 31ª (ao todo, 34 atletas estão inscritas). A disputa começará às 14h20 no horário local (17h20 no horário brasileiro de verão).

A missão é difícil, mas não impossível. Lais ocupa a 34ª posição no ranking e é a terceira na lista de realocações, atrás de duas bielorrussas (só uma delas participará da etapa). Ela precisa de uma nota boa e segura para tentar ser a segunda ou até mesmo a primeira nesta espera. Josi Santos é a 37ª no ranking, a quinta na realocação e suas chances dependem do salto que ela realizar no sábado. 

Até porque outras alterações deverão ocorrer no dia 20. Canadá e EUA, por exemplo, terão que cortar alguns atletas em várias modalidades por terem estourado o limite de cotas (no esqui livre é permitido um total de 26 atletas e o máximo de 14 homens ou 14 mulheres, isso somando moguls, halfpipe, cross, aerials e slopestyle).

Independente do que acontecer, já aproveito e parabenizo Lais e Josi Santos. As duas atletas mostraram um profissionalismo, uma superação e uma força de vontade que não vemos todo dia no esporte brasileiro. 

Elas encararam todos os desafios - que não são poucos nos esportes de inverno. Além de todos os riscos à segurança, driblaram o fato de morar longe da família, encararam temperaturas baixíssimas e ainda competiram num esporte que era totalmente desconhecido para ambas. Mas em menos de oito meses elas não só aprenderam como se credenciaram para disputar uma vaga olímpica. 

Mérito também para Ryan Snow. Técnico experiente e com conhecimento na área, soube passar tranquilidade e confiança para as meninas quando elas mais precisaram. Agora não sei, mas certamente a parceria com a CBDN irá render bons frutos em 2018.

Quanto aos bastidores, que seja um belo pontapé inicial para o desenvolvimento do esqui livre na América do Sul. A modalidade começou em 2010 com esqui cross e tenta se erguer com o slopestyle. O Brasil tem um potencial muito bom nessas modalidades (dentro das nossas limitações, evidente). Que os exemplos das duas atletas sirvam de inspiração para dirigentes, patrocinadores e demais entusiastas do esporte.

Um comentário:

  1. Agradeço aos membros do Zero Gau pelo carinho, força e reconhecimento ás nossas meninas. Me emocionei com a postagem. Muito obrigada.

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