A força dos beagles

Não me refiro aqui aos simpáticos cães libertados de um instituto de pesquisa em São Roque. Aqui, beagle nada mais é do que uma figura de linguagem. Uma metáfora de algo improvável. Basicamente uma remodelagem de Davi x Golias. 
 
Leila (Arquivo Pessoal)

A frase foi dita por Leila Mostaço em seu blog para relatar suas primeiras provas nesta temporada. E é bem por aí mesmo: o Brasil em esportes de inverno é um beagle, que leva simpatia e alegria, mas não simboliza força. Mesmo assim, é um cão que pode botar medo (confira a história completa no Blog da Leila. Recomendo!). 

Leila trouxe esta história para mostrar como foram difíceis suas provas neste fim de semana em West Yellowstone (EUA). Ela participou de uma prova de biatlo, para sentir o clima da modalidade, e duas provas de cross-country, o maior foco da atleta na temporada.

No Biatlo, Leila foi muito bem. Apesar de ser uma prova típica para iniciantes, ela terminou na quarta posição geral, a 43 segundos de uma medalha. Ela não errou nenhum tiro sequer durante o percurso. 

No Cross-country ela participou de uma prova de Sprint e outra de 10 quilômetros. No sprint (sua primeira participação em provas deste tipo), a brasileira terminou na 64ª posição, com 4min03seg06, pouco mais de um minuto da primeira colocada. Uma marca nada mal e que a aproxima da sua meta de estar presente no Mundial de 2015. 

Na prova de distance, porém, ela não foi tão bem. Apesar de admitir a expectativa nesta prova, Leila não foi tão bem. Nos primeiros cinco quilômetros ela estava na 23ª posição, mas sentiu o fôlego e caiu para a 78ª (penúltima) posição, com o tempo de 43min30seg00, mais de dezessete minutos atrás da vencedora. 

Leila Mostaço não gostou do resultado e até brincou comigo de que não mereceria tanta divulgação assim. Mas é nos momentos ruins que os beagles aprendem a ser mais fortes! Parabéns, Leila.

Nas alturas

Mirlene feliz da vida (Divulgação/Mizuno Brasil)
E veio fora da neve a notícia da força que os atletas brasileiros de inverno têm. Mirlene Picin conquistou o título da maratona Mizuno UpHill. Mas essa não é uma maratona comum. Os 42 quilômetros são em plena subida, na primeira prova do tipo no Brasil. 

A atleta de esqui cross-country e biatlo mostrou que sabe superar todas as adversidades. Ela foi a grande surpresa, ao conquistar o título feminino com 3h48min34seg, ficando na quinta posição geral, entre homens e mulheres!

Mirlene Picin é uma das melhores atletas de inverno do país atualmente, mas nos últimos meses tem se dedicado mais às provas de corridas de rua. Nessas provas ela consegue o reconhecimento que pouco teve em provas de inverno. Espero que não seja uma troca definitiva de esporte. Ela tem muito o que acrescentar para a história do Brasil no esqui cross-country e biatlo. 

Mais resultados

Enquanto Leila tentava incorporar a força do beagle e Mirlene Picin era coroada rainha da serra, Leandro Ribela e Fabrizio Bourguignon estiveram em Idre, na Suécia, para participarem de provas de esqui cross-country. Eles participaram do sprint e dos 10 quilômetros clássico. 

Os resultados ficaram na média. Na prova de Sprint, Leandro terminou na 108ª posição, com 2min36seg69 e 283.14 pontos FIS. Fabrizio foi o 126º, com 2min53seg01 e 432.78 pontos. Ao todo, 129 atletas participaram da prova e o sueco Simmon Person foi o vencedor. 

No domingo, eles participaram dos 10 quilômetros estilo clássico. Leandro ficou na 119ª posição, com 37min15seg8 e 322.33 pontos FIS. Já Fabrizio ficou na 124ª posição, com 39min23seg8 e 384.21 pontos.

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