Trégua olímpica

Thomas Bach, presidente do COI (IOC/Juilliart)

O recém-eleito presidente do COI, o alemão Thomas Bach, irá pedir nesta quarta-feira, dia 6, uma "trégua olímpica" durante a realização dos Jogos Olímpicos de Inverno em Sochi, na Rússia, entre os dias 7 e 23 de fevereiro. 

O pedido será feito na 68ª Sessão da Assembleia Geral da ONU, em Nova York. Está até no site do Comitê Olímpico Internacional (clique aqui). 

O que o COI pretende? Tentar garantir na via diplomática que nada aconteça nos Jogos de Inverno, que reunirá cerca de cinco mil atletas lá na Rússia. Ele falará das relações entre esporte e política e quer evitar qualquer tipo de boicote que eventos olímpicos possam sofrer. 

Quem entrará com pedido de trégua olímpica será a Rússia, principal parte interessada nesse momento (daqui dois anos será a vez do Brasil, não tenham dúvidas). O COI é apenas observador, garantido pela assembleia geral de 2009. 

Apenas para entender um pouquinho mais, o conceito de trégua olímpica surgiu nos Jogos Olímpicos da Antiguidade e incide nas disputas "individuais" e não nacionais, sempre com os valores da paz e harmonia em voga. 

Na era moderna, a trégua olímpica foi introduzida pelo Comitê em 1992. Nesse período, a ONU pede para que os países promovam a paz antes, durante e depois a realização dos Jogos Olímpicos. 

É mera representação, até porque COI, Fifa, entre outras entidades internacionais, não conseguem conter o ímpeto de um povo que se sente injustiçado. Esporte é importante e vital na sociedade, sem dúvida, mas outras prioridades encabeçam a lista de pessoas e algumas autoridades. Resumindo: quando um grupo, uma sociedade, quer fazer algo, ela fará (conseguiram invadir até mesmo a cerimônia de encerramento da Copa das Confederações por aqui). 

Mas o que faz esse pedido ganhar força e atenção é a incrível quantidade de problemas que o comitê organizador russo tem para resolver. Nem preciso me esforçar tanto para lembrar de casos de corrupção, trabalhadores das obras em condições desumanas, a tal lei anti-gay que existe por lá, a ameaça de boicote por parte de alguns atletas e países....

Isso sem citar, claro, a imensa fronteira russa e seus inimigos de cerca. Um amigo esteve por lá recentemente e relatou o clima de tensão que existe em aeroportos e trens. A Geórgia ameaça boicotar o evento e não é de hoje. 

No fim, torcemos para que tudo corra na mais pura normalidade e que todos as questões pendentes possam ser resolvidas da melhor maneira possível pelos envolvidos. Estou falando aqui de manifestações violentas e atentados - os protestos sempre são válidos, sem dúvida. De uma forma ou de outra, a trégua olímpica vem surtindo efeito nos últimos vinte anos. Que continue assim.

Um comentário:

  1. Realmente, Gustavo, não é fácil ser manifestante na Rússia.
    Dias depois que saí de Moscou e estava na Sibéria, houve pesada manifestação de imigrantes dos países vizinhos. Eles reclamavam da Polícia que havia assassinado um jovem do Azerbaidjão em Moscou. No protesto, foram mais de 1.200 imigrantes detidos.
    Uma emissora de tv russa (de sigla PEH, salvo engano) mostrou o tratamento que foi dado ao sujeito que aparentemente era o líder dos protestos. Pisaram no pescoço dele diante das câmeras enquanto faziam uma espécie de interrogatório.
    Creio que a idéia era a de impressionar a audiência e mostrar como funcionam as coisas por lá...

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