Pedra no coração - uma história de amor e loucura

Depois de homenagear os atletas e dirigentes dos esportes de inverno no post abaixo, o Brasil Zero Grau trata de homenagear agora todos os leitores deste espaço. Os torcedores abnegados, que varam madrugadas e sites em língua estrangeira para entender suas modalidades queridas. 

Não somos muitos, como no futebol. Também não somos tão tradicionais, como no basquete e no vôlei. Mas, como bom torcedor, somos apaixonados. Diria até mais do que em outros esportes. Oras, ai se algum jornalista metido a besta errar alguma informação a respeito da patinação, do esqui, do snowboard.... 

Por isso mesmo nós, amantes de esportes de inverno, criamos nossos próprios blogs, mesmo não sendo jornalistas. Chega de informações erradas. Queremos respeito na cobertura e queremos mais coberturas. Somos loucos, mas por amor. 

É pensando nesse amor incondicional que este blog surgiu e cresceu. A mesma paixão arrebatadora que me cativou em 2010 é a que quero passar nos relatos que faço. Para, quem sabe assim, contribuir um pouco no aumento dos fãs desses esportes lindos e incompreendidos por aqui. 

Personagem ideal

Da mesma forma que no post abaixo, quando um ex-atleta conseguiu simbolizar todos os membros da comunidade olímpica de inverno do Brasil, duas apaixonadas por curling conseguiram sintetizar todo o amor que os torcedores dessas modalidades passam aqui no Brasil.

Ainda no primeiro semestre, o Blog trocou e-mail com as meninas autoras do Blog Curling Brasil, que traz informações em português dos principais torneios de curling em todo o mundo. A paixão começou em 2010, mesmo ano em que a modalidade caiu nas graças dos brasileiros, graças aos Jogos de Inverno em Vancouver (elas mantêm uma página no Facebook "Curling em Português" e estão no twitter com @curlingblogbra)


Ao contrário de todas as entrevistas que fiz, nesta vou adotar o modelo pingue-pongue. Primeiro porque são duas autoras que falam. Segundo porque as frases estão muito legais e tentar incluir em parágrafos irá tirar todo esse brilho. Ana, Aline e Jéssica: parabéns pelo trabalho e seguem com esse amor. Afinal de contas, é no bater das pedras que pulsa a vossa e a nossa alma!

Blog - Primeiro gostaria que vocês se apresentassem! Falem um pouco de cada uma... o que fazem, quantos anos tem, objetivos, etc.
Jéssica: Meu nome é Jéssica Ferreira, tenho 21 anos, paulista, estudante, apaixonada por esportes e tagarela!
Ana: Ok, chamo-me Ana P., tenho 29 (!) anos, gaúcha, atualmente estagiária, mas já formada em Engenharia. Meu objetivo atual é arrumar um bom emprego (hehe) (ou então fazer um intercâmbio).


Blog - De onde surgiu o interesse pelo curling? Foram motivadas pelos Jogos olímpicos de 2010 ou já era uma paixão antiga?
Jéssica: O interesse (amor) pelo Curling surgiu durante as transmissões dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2010. Na primeira transmissão de Curling que assisti fui pesquisar na internet sobre o esporte e encontrei a comunidade: Curling Brasil em uma rede social, lá tinha muita gente que já conhecia o esporte a mais tempo e que explicava as regras, como funcionava os campeonatos e postava links de transmissões da temporada. Comecei a fazer amizades com esse pessoal que me ajudaram bastante a entender o esporte, onde pesquisa-lo e onde assisti-lo.
Ana: É uma história bem louca, mas eu estava terminando minha pós em 2010, enquanto em casa assistiam aos jogos de inverno. Gosto bastante de patinação artística, mas um dia precisei madrugar, e pra descansar um pouquinho resolvi assistir a TV, passando curling. Estava passando Bingyu Wang x Cheryl Bernard com os comentários do Marcelo Melo. E ele explicando foi demais, comecei a entender um pouco e logo de cara fiquei fascinada. Assisti poucos jogos depois, um deles foi o tie-break entre Edin x Murdoch, que me fisgou de vez. Aí claro, procurei alguma coisa em redes sociais, achei lá na mesma rede social que a Jéssica citou e encontrei uma galera que estava na mesma vibe :D


Blog - E como foi a ideia para montar o blog?
Jéssica: O Blog existe desde 2010, foi montado pela Aline que também participava dessa comunidade. Eu comecei a escrever no blog em 2011, pois assim era uma forma de pesquisar mais sobre o esporte.
Ana: Complementando a resposta da Jéssica, a Aline fez a proposta na rede social, e eu queria escrever alguma coisa, só estava sem tempo (motivo já citado) de fazer layout de blog, tudo bonitinho, aí pensei: porque não? Ofereci-me e comecei a botar a mão na massa nas horas de folga e com o apoio da galera e com as dúvidas que foram surgindo, fui escrevendo e aprendendo junto. Então a Jéssica começou a se destacar e a Aline me promoveu como administradora conjunta do blog, aproveitei e convidei a Jeh em 2011 pra juntar-se a nós.
 

Blog - Amigos e familiares estranharam esse fascínio pelo curling? Como vocês lidaram com isso?
Jéssica: Meu pai e meu irmão são apaixonados por esportes, então nunca reclamaram. Já minha mãe gostaria que eu estivesse assistindo a uma novela, ela reclama um pouco, pois se deixar eu fico assistindo esportes o dia inteiro (é sério), assim eu assisto novela uma vez ou outra com ela para tudo ficar bem.
Ana: É muito engraçado. De início, acompanhei os mundiais no mesmo ano, não reclamaram, até minha mãe me incentivou. Só que depois comecei a assistir jogos pela internet, na época que o Grand Slam era transmitido pela CBC sem o bloqueio internacional (snif! Bons tempos!) e logo depois acompanhava via Laola1.tv os do CCT e transmissões não-oficiais, quando a coisa estava recém iniciada e eram escassos os links. Chegava a alguns momentos acordar às 6h da manhã pra assistir (por conta do fuso dos jogos). Eu negocio, quando tenho jogo pra assistir e precisam de mim em casa, monto meu QG com as tarefas e dou umas olhadas. Ainda hoje rende umas briguinhas e argumento sobre ser perda de tempo, mas a última final na Suíça todo mundo em casa assistiu na TV :P

Blog - Como vocês conciliam o blog com a vida pessoal de cada uma? E de onde vocês conseguem tanta informação assim do esporte?
Jéssica: Eu tento usar todo meu tempo livre para o curling, algumas vezes não consigo. Já outras vezes tenho que fazer escolhas, como por exemplo na final masculina do mundial desse ano: eu tinha combinado que almoçaria com a família de uma amiga, pois era Páscoa, mas eu não podia perder a final e tinha que escrever sobre o jogo logo depois. Perdi o almoço, quase perdi a amizade, porém o jogo eu assisti!
Algumas informações você consegue seguindo os times e sites de curling nas redes sociais, assim você se informa sobre o esporte e treina o inglês. Outras você acha em outros sites que não usam a língua inglesa, então os tradutores na internet são bem usados. (A Ana que o diga)
Ana: Queria me dedicar mais a ler e aprender coisas, inclusive partilhar, mas no momento não tenho tido muito tempo. Até pensei em fechar o blog (tanto que as postagens pararam, nem a Jéssica, nem eu damos conta do recado), porém não consigo ficar sem espiar pelo menos algumas horas do meu dia (inclusive no Europeu, no trabalho mesmo, ficava escutando e dando espiadelas nos links da WCF). Então, prefiro as redes sociais, passo o recado lá mesmo e partilho, geralmente com a Jeh, com a Nat do Blog Curlingpédia (uma das grandes parceiras ;) ) e alguns fãs. Com o tempo, fui descobrindo ferramentas que podiam me auxiliar na atualização, mas claro, sem a ajuda delas e de vários leitores, não teria toda esta gama de informações.
O meu lado pesquisadora também me ajuda muito a descobrir informações do curling. Sites como da própria WCF, CCA, CCT, WCT, Curlingzone, o falecido Skip Cottage e o The Curling News são os meus favoritos na pesquisa, mas claro, hoje se consegue bem mais com a inclusão dos times, narradores e dos torneios nas redes sociais, e o apoio dos gurus como o George Karrys, ou do Chad McMullan que esteve aqui em 2011. Porém há muito a ler e aprender (e traduzir, claro).

Blog - Chegaram a jogar curling algumas vezes?

Jéssica: Teve um evento patrocinado por uma empresa em um shopping na capital de São Paulo onde eles dividiram uma pista de gelo e fizeram as pistas de curling. Gostei do evento, pois quem não conhecia o esporte pode conhecer e quem gostava pode ter o contato com o esporte. Eu caí mais do que tentei jogar, mas foi uma ótima experiência, pena que não teve em outras regiões (Ana diz: Ela contou aqui como foi ;) ).
Ana: Infelizmente não, quando teve o evento em 2010 tentei ir, como era muito longe e estava sem grana, não deu. Mas procurei incentivar a galera a ir e pedi que relatassem a experiência, renderam vários posts no blog. Quero jogar, mas pra me divertir :)

Blog - Esperavam tamanha repercussão do blog entre os atletas e dirigentes dos esportes de inverno?

Jéssica: Definitivamente não, quando comecei a escrever no blog era por amor ao esporte e para tentar informar os que também gostavam. Fiquei muito feliz com isso, se essa repercussão ajudar o curling a ser conhecido aqui e que façam investimentos no esporte ficarei ainda mais feliz e com o sentimento de dever cumprido.
Ana: Pensei que não nos levariam a sério, pois éramos iniciantes e por sermos garotas (pessoal que não lê a autoria pensa que tem garotos no time e perguntam “vem cá, tem homens que gostam de curling no Brasil?”). Entretanto, confiei no projeto, escrevo porque gosto e é uma forma de trocar ideias com quem entende. Só fico chateada em não ajudar quando perguntam se a gente dá aula ou vende equipamento, ou temos ligação com a CBDG. Não temos nada a ver, só estamos pra ajudar e aprender junto. É legal ver quando seguimos alguns perfis de jogadores, eles nos dizerem “I would like to go to Brazil” ou “Are you from Brazil? Amazing!” ou “Me encanta tu blog” quando vem da Espanha e recentemente pessoas da Argentina nos procuraram (!), fico emocionada e com mais vontade.
Mas quem sabe se alguém nos patrocinar um curso e/ou uma viagem, a gente não volta com conhecimento? (momento pedinte)

Blog - Em 2009 surgiu o primeiro time brasileiro de curling. Acredita que a modalidade ainda possa crescer aqui no país?
Jéssica: Se forem feitos investimentos e fizer com que seja acessível para todos, acredito sim! O problema é que o esporte não é barato e isso já é usado como um obstáculo imbatível por muitos.
Ana: Os caras são guerreiros! Espero que eles ainda atinjam o objetivo de jogar um mundial. Acredito sim, mas engatinhando lentamente. Ano retrasado, o Maleson [ex-presidente da CBDG] tinha sugerido em reportagem que a WCF colocasse o Brasil pra disputar a vaga da Ásia/ Pacífico, o que eu (nota: a maioria das pessoas a quem perguntei concordaram com a proposta do cara) não concordo. Ora, se quer a vaga, tem mais é que investir! Minha sugestão é tentar entrar em categorias como as duplas mistas e seniores (a Austrália é destaque com seus vovôs, com dois bronzes seguidos), a primeira com reais chances de se tornar modalidade olímpica, o que acho muito legal! É outra visão do jogo e não menos divertida (eventos como a Copa Continental ajudam a entender). Além disso, tem os grupos mistos (2 homens com 2 mulheres) também.

Blog - Qual a perspectiva que vocês veem para o curling brasileiro?

Jéssica: Espero que em um futuro próximo mais pessoas conheçam o esporte, que investimentos sejam feitos no esporte no país e que possamos joga-lo aqui.
Ana: Espero mesmo que o esporte seja uma futura opção de lazer e bem-estar pros brasileiros, em primeiro lugar, dentro da grande gama de esportes e saindo da “zona de conforto do futebol” (pesquisando o curling acabei vendo que outras modalidades bem mais acessíveis de praticar sofrem também, espero que outros esportes sejam incentivados, há muito a ser feito). Sim, se espera muito uma equipe que represente o país, mas acredito que seja o de menos para o momento. Com um maior número de participações, penso que chegaremos lá.

Um comentário:

  1. Olha nossa entrevista aí! Primeiramente, parabéns pelo aniversário e pelo trabalho, sempre bem feito e variado, além de aberto para todos os esportes de inverno... Espero que venha mais sucesso pela frente! Um grande abraço!

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