Eternos aprendizados

Isadora (Reprodução)
Conversei com Isadora Williams na semana passada. Era um desejo antigo deste blog conversar com ela, uma das principais atletas de inverno do país. Entre outros motivos queria iniciar uma semana especial para o Brasil Zero Grau (prestes a completar um ano), saber a importância deste marco na carreira da jovem e quais os aprendizados que tirou disso tudo. 

A conversa via skype durou quase uma hora e realmente teve vários aprendizados. Mas um deles é extremamente dolorido para um jornalista, ainda que em começo de carreira. Se você que lê este post é um estudante de jornalismo ou um profissional formado, tenha em mente uma coisa: sempre, mas sempre mesmo, use diversos métodos de captação de entrevista. 

Digo isso porque além da minha mania de escrever no meu bloco de notas todas as falas dos entrevistados, confiei quase que cegamente no software que possuo para captar o áudio de entrevistas via skype. Sim, é isso mesmo que você imaginou: o que seria uma bela entrevista com as próprias falas da Isadora, passou para meu computador simplesmente alguns ruídos inaudíveis por uma falha tecnológica. 

É a mesma frustração de usar um gravador e perceber que a pilha acabou no meio da entrevista da sua vida. Ou ainda ver a caneta acabar a tinta no meio do nada. Ou, traduzindo para o idioma do atleta, deixar escapar uma vaga por puro nervosismo. 

Como vocês devem saber, foi exatamente isso que aconteceu com Isadora no programa longo do Troféu Nebelhorn. Após uma brilhante apresentação no programa curto, a brasileira foi dominada pelo nervosismo e quase fica de fora dos Jogos Olímpicos (pegou a última vaga para Sochi).

"Após o programa curto a pressão aumentou. Eu fui a última do penúltimo grupo e fiquei mais nervosa com o tempo de espera. Eu achei que tinha deixado a vaga escapar. Chorei bastante após o fim da apresentação", comentou Isadora. 

A imagem foi bastante singular e praticamente rodou o mundo. Uma linda e jovem atleta aos prantos aguardando sua nota. Prato cheio para os operadores de câmera e transmissões ao vivo. 

Mas tudo serviu de experiência para Isadora. Ela mesma confessou que a confirmação da vaga olímpica a deixou "muito mais aliviada". Natural que seja assim: imagina você, aos 17 anos, representar seu país e estar prestes a conseguir uma vaga olímpica inédita. Foi um turbilhão de emoções, culminando num assédio maior do jornalismo esportivo do Brasil. "Não esperava tudo isso, mas fico feliz", afirmou. 

Falta apenas agora os empresários locais também aprenderem a lição e não deixar um potencial de marketing como esse escapar. Não é todo dia que surge atleta desse naipe por aqui, numa modalidade que foi recorde de audiência nos últimos Jogos de Inverno e com pouco mais de cem dias para o início de mais uma Olimpíada. 

É impossível que ninguém vai seguir o exemplo da CPQI, empresa de tecnologia. Foi graças ao apoio desta empresa que Isadora pôde trocar o figurino e a coreografia do programa curto (e consequentemente conquistar a vaga olímpica). "O apoio foi muito importante. Graças a ele pude trocar o meu vestido e contratar uma coreógrafa. Mas treinar para os Jogos Olímpicos custa muito dinheiro. Preciso de mais patrocínios", afirmou.

Para Isadora, o aprendizado valeu a pena. Além de mais tranquila, ela já traçou o planejamento para os Jogos. Semana passada retornou aos treinos. Não mexerá no programa curto, mas fará alterações no programa longo: quer incluir saltos mais sofisticados para aumentar a nota. Já confirmou que participará do Golden Spin em dezembro (onde é a atual medalhista de bronze) e no Quatro Continentes em janeiro, antes de viajar para Sochi. 

Enquanto isso, segue a vida de estudante e com as aulas de português (sabendo que terá que dar muitas entrevistas até fevereiro de 2014). Aliás, a própria entrevista via skype que ficarei devendo por aqui foi em português. Isadora não teve muitas dificuldades, falou palavras bem difíceis sem se enrolar e acredito que logo, logo estará fluente também na língua do seu país. Ela sabe muito bem absorver os aprendizados da vida.

Quanto à mim, espero ter aprendido esta lição dura para a vida de um jornalista e espero que até fevereiro de 2014 possa ter novas oportunidades de entrevistar ao vivo uma das atletas mais dedicadas e esforçadas do esporte brasileiro.

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