Destino: Sochi

Edson Bindilatti: piloto do time masculino (Cristiano Paes/Divulgação)

São 12 anos de dedicação ao bobsled. Número que faz de um atleta campeão no decatlo ficar conhecido não pelos feitos nas pistas de atletismo, mas sim nas pistas de gelo. E hoje, terça-feira, Edson Bindilatti viaja para o Canadá a fim de incluir outras conquistas na sua trajetória de atleta de bobsled num país tropical como o Brasil. 

Piloto da equipe masculina, ele é o grande líder da equipe que, como uma fênix, renasceu das cinzas neste ano. Em um ano o time saiu da extinção para as pistas da América do Norte. Serão dez etapas da Copa América por lá, de onde a equipe pretende sair apenas para ir até Sochi, com destino certo: o retorno nos Jogos Olímpicos de Inverno após oito anos. 

Ao lado dele estarão Marcelo da Matta e Daividson Henrique de Souza, novatos com disposição para aprender - tanto que Daividson vai direto para a escola de pilotagem, já visando os Jogos de 2018, e não os do ano que vem. Além disso, Sally Mayara Siewerdt e Larissa Antunes da Silva também embarcam para se reencontrarem com Fabiana dos Santos, a piloto do time feminino que está em Calgary desde junho. 

Dia 23 a equipe finalmente estará completa: Odirlei Pessoni, Fábio Gonçalves, Rodrigo Custódio e Edson Ricardo também embarcam para o Canadá após os Jogos Abertos do Interior (ambos tem contratos para competirem no atletismo neste evento). Três integrantes do skeleton (Francisco Irlândio, Gustavo Henke e Fábio Antônio Marcelino, o Mexerica) também viajam para fazer a escola da modalidade e se prepararem para 2018. 

"Com a nossa experiência e o treinamento duro com o Cristiano lá vamos estar treinando diariamente na pista de pushing, que é pra treinar toda essa sincronia com o trenó, e também as descidas que antecedem as competições. Vamos estar descendo todo o dia e fazer com que a equipe se entrose mais rápido", garantiu Edson Bindilatti, o mais velho integrante da equipe brasileira. 

Tudo começou no distante ano de 2002, quando o bobsled brasileiro integrou os Jogos pela primeira vez. Edson era o integrante mais novo na equipe que tinha também o Cristiano Paes e Eric Maleson, ex-presidente da CBDG, como piloto. Ele esteve no time que classificou para os Jogos de 2006 e já era o piloto da equipe que não conseguiu superar os problemas administrativos em 2010 e ficou fora das Olimpíadas. 

Aliás, foi com Edson que esses problemas vieram à tona em 2011. Encabeçando um grupo de atletas e ex-atletas de esportes de gelo, elaborou uma série de documentos que colocavam em xeque a gestão do ex-mandatário da entidade. Fundou o Clube Paulista de Desporto no Gelo e apoiou a intervenção judicial que se seguiu na CBDG em seguida.

"Eu acho que o que mudou agora dos anos anteriores foi a transparência desde a confederação até os atletas. Eu acho que essa comunicação do presidente e superintendente com os atletas, que estão aqui embaixo, está muito grande. A gente manda um e-mail para o presidente, para o superintendente e eles respondem com as nossas dúvidas. Sabemos o que vai acontecer na temporada, tem uma programação certinha. Antes ia viajar e não sabia a data, sabia apenas na semana do voo. Tudo isso atrapalha na preparação", afirmou. 

O que não faltaram foram problemas nos últimos anos. Além de toda a questão judicial e financeira (a CBDG não recebeu uma verba federal desde 2010 por conta do imbróglio), a equipe de bobsled sofreu com técnicos estrangeiros no outro ciclo olímpico. Treinado por um holandês, a comunicação em inglês falhava e criava "atritos desnecessários", como o próprio Edson relatou. Por isso a contratação de Cristiano Paes caiu como uma luva.

" Além de ser brasileiro e já ter participado de Olimpíada de inverno, essa experiência que ele teve com a equipe do Canadá é boa. Ele chegou a ser piloto da equipe em algumas temporadas e treinou atletas que foram medalhistas olímpicos no Canadá. Então, esse conhecimento da modalidade, do bobsled em si para a gente está maravilhoso. E ele fala nossa língua, porque meu inglês não é tão bom, de outros atletas também não, então se estivéssemos com técnico estrangeiro ia ter uma dificuldade maior". 

Mas agora os ventos são outros para Edson e a equipe de bobsled. A CBDG conseguiu adquirir três trenós seminovos das equipes de Mônaco e Suíça. "São trenós muito competitivos, com um ou dois anos de uso apenas. Apesar de não serem zero-quilômetro, são os melhores trenós com que o Brasil já competiu", afirmou o presidente Emílio Strapasson no release divulgado pela agência Contrapé de Jornalismo. 

O pagamento foi efetuado semana passada graças ao apoio do COB. Os trenós devem chegar ainda nesta semana no Canadá para a equipe iniciar os primeiros treinos. Além disso, esta temporada marca o início do convênio entre o bobsled do Brasil e do Canadá, que colocou a estrutura à disposição para o time brasileiro treinar e se preparar para Sochi. 

"Vamos ter um conhecimento a mais não só de perfil das pistas, mas na manutenção dos trenós. Isso é importante. O trenó você consegue regular de pista pra pista. Esses macetes, esses segredinhos que faz você ter um bom desempenho na competição vai ser muito importante para a gente. Pode ser aquele detalhezinho que pode nos dar a classificação para os Jogos de Sochi já". 

A classificação, porém, não é tão fácil. A equipe brasileira (masculina e feminina) disputarão dez etapas da Copa América no hemisfério norte e precisam terminar, pelo menos, entre os 40 primeiros no ranking internacional entre os homens e entre os 30 entre as mulheres. 

Os sete melhores resultados serão levados em conta para determinar a classificação brasileira. São 18 países e 30 trenós no masculino e 12 países e 20 trenós no feminino que estarão em Sochi.

"A confiança está em ambos, tanto na parte dos atletas como no treinador. Tanto que a nossa programação inclui a competição de Sochi. Se você ver a motivação dos atletas que estão viajando, você ia ficar surpreso. Se fosse só a motivação a gente já estaria classificado", brincou o atleta, que também é treinador de salto com vara no Clube de Atletismo em São Caetano do Sul.

Confira a entrevista completa de Edson Bindilatti ao Blog Brasil Zero Grau abaixo:

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