Esses patinadores

Por conta da viagem para São Paulo e da presença de atletas da CBDN, um fato quase passou despercebido pelo Blog: na última semana dois grandes nomes da patinação artística no gelo do Brasil estiveram em competições nos Estados Unidos e na Alemanha. 

O mais velho deles, Jorge Alves de Lima, nome e origem bem brasileira, compete pelos Estados Unidos. Ele esteve presente na disputa do Mundial Adulto da ISU entre os dias 15 e 18 (não confunda com o Sênior, pois nesta categoria é permitido apenas atletas de 28 a 78 anos, até onde eu entendi). 

Jorge é pentacampeão mundial da categoria, sempre competindo pelos Estados Unidos, o que dá mais um exemplo de como o ego e a disputa política pode interferir no desenvolvimento dos esportes aqui em terras tupiniquins. E neste ano, novamente, ele conquistou um bom resultado. 

O brasileiro disputou a categoria Ouro masculino 2 e 3 nas provas de Patinação Livre e Prova Artística. Na patinação livre, que levam em conta a dificuldade dos elementos desenvolvidos pelo atleta, Jorge conquistou a medalha de bronze, com a nota de 35.59 pontos - o alemão Theo Fischer foi o ouro com 38.06. 

Na prova artística (semelhante ao programa curto), os juízes levam em conta a interpretação do atleta. Nesta prova, ele ficou na quarta posição, com 15 pontos, apenas 1.67 pontos atrás do polonês Przemyslaw Fajer, medalha de bronze. O americano Ross Luxton foi o ouro com 19.92 pontos.

(Abro o parênteses novamente: perguntei para Márcio Pereira, da Associação de Patinação do Estado do Rio de Janeiro sobre as diferenças entre as categorias: se entendi bem, ouro refere-se à patinadores de elite e os números 2 e 3 incluem atletas que conseguem realizar elementos obrigatórios para aquela categoria).

Um ótimo resultado, sem dúvida nenhuma, e que leva ao seguinte questionamento: como um atleta desse não representa o Brasil? Tudo bem que agora a CBDG está em crise administrativa, mas e antes? O Blog soube que neste ano ele foi convidado, mas como já está adaptado a competir pelos Estados Unidos, Jorge optou em continuar representando o país norte-americano. O que faz muito bem, para falar a verdade. 

Como sempre digo nesse imbróglio envolvendo a confederação, a crise nunca pode respingar nos atletas. Até para evitar que talentos como o Jorge de Lima represente outros países. 

Em busca de Sochi


Mas Jorge não foi o único brasileiro nos ringues de patinação. O mais novo deles, Kevin Alves, que nasceu no Canadá e tem descendência brasileira, esteve no Festival Primavera de Patinação Artística em Buffalo, nos Estados Unidos, no sábado. Ele é uma das esperanças do Brasil para conquistar a vaga até Sochi. 

Foi sua primeira prova nesta nova temporada e apenas a terceira dele após se recuperar de uma séria lesão no tornozelo. A competição, porém, é no mesmo esquema da prova de Luiz Manella duas semanas atrás. Serve mais para dar confiança e ritmo de provas ao brasileiro.

Tanto que ele foi o único presente na categoria Sênior masculino e, claro, ganhou a medalha de ouro. O site oficial ainda não divulgou os resultados e espero uma resposta de Kevin para saber seu desempenho e pontuação no programa curto e programa longo. 

A tendência para ele, agora, é aumentar o ritmo de provas e treinos. Kevin corre contra o tempo para brigar por uma das seis vagas restantes na repescagem olímpica no fim de setembro, na Alemanha. Em todo caso, parabéns pelo resultado, Kevin!

Um comentário:

  1. Na verdade o 2 e 3 referem-se ao grupo etário e não à dificuldade dos elementos, ou seja: grupo 2: atletas de 38 a 48 anos de idade, grupo 3: atletas de 48 a 58 anos de idade. e o programa artístico não é como o short program do circuito olímpico. No programa artístico são considerados apenas os componentes do programa e não os elementos técnicos. Jorge de Lima, competidor.

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