O luge sobrevive!

O luge já deu duas vagas olímpicas para o Brasil nos Jogos Olímpicos de Inverno de 2002, em Salt Lake City. Se não fosse o grave acidente envolvendo Renato Mizoguchi em 2005, teria rendido vaga em 2006 e até mesmo em 2010. 

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Porém, nestes últimos anos, o esporte esteve praticamente abandonado graças a falta de verba e toda crise administrativa envolvendo a Confederação Brasileira de Desporto no Gelo. Renato foi obrigado a se retirar do esporte, pelo menos no âmbito da competição. Outros atletas que se aventuravam até em pistas naturais também foram desistindo aos poucos.

Mas nesta temporada um sopro de esperança vem das pistas geladas dos Estados Unidos, Alemanha e Rússia e mantém viva uma modalidade com bastante história para contar aqui no Brasil. E que, acreditem, possui potencial de crescimento enorme com os praticantes do luge de verão. 

Alexandre Cerri Machado, campeão mundial de classic luge em 2011 e vice-campeão sul-americano de street luge no mesmo ano, recebeu um convite ainda de Eric Maleson para se aventurar nas pistas de gelo do luge. Em novembro fez uma série de treinamentos na Alemanha e depois na pista de Sochi, a mesma onde acontecerá os Jogos Olímpicos daqui um ano. Aliás, ele foi o primeiro brasileiro a treinar na cidade olímpica. 

Gostou do que viu e sentiu por lá. Mas como bom atleta, daqueles que gostam de competir e buscam sempre as melhores posições, pediu para começar sua adaptação após os Jogos de Sochi. Na sua cabeça ele já almeja os Jogos Olímpicos de 2018, na Coreia do Sul. Quer estar pronto para fazer história e não apenas participar do evento. 

Mas e nesta edição dos Jogos? Mais um ciclo olímpico sem representantes brasileiros no luge? 

Não, nada disso. Eis que um antigo representante da modalidade resolveu voltar a treinar e competir. Leonardo Alves, 28 anos, embarcou para os Estados Unidos, arrumou um trenó para treinar e lá está ele descendo as pistas de Park City, em Utah, o mesmo local onde onze anos atrás o luge escrevia seu principal capítulo no esporte brasileiro. 

Ele até tem sangue gelado correndo na sua linha genealógica. Seu tio, Ricardo Raschini, era um dos brasileiros no luge em 2002 (ao lado do Renato Mizoguchi). Ricardo também esteve presente no bobsled em 2006 e foi um dos principais nomes dos esportes de gelo do Brasil.

Leonardo, pelo visto, seguiu o exemplo da família. Ele até disputou de uma corrida oficial nos Estados Unidos no dia 9 de fevereiro deste ano. A prova regional chama-se Copa Wasatch Luge Club Founders. Ele ficou na quarta e última posição da categoria aberta, com o tempo de 1min37seg104. 

Para os leitores do blog, o perfil deste cavaleiro solitário já está sendo preparado. Até enviei perguntas por e-mail para o atleta, que estava nos Estados Unidos e já embarcou para a Rússia. 

Não tenho pressa em recebê-las, pois sei que o sonho olímpico sempre tem prioridade. E atrás dele, o brasileiro já se prepara para a disputa da última etapa da Copa do Mundo de Luge nos dias 23 e 24 deste mês, que será realizado, olha só, na pista de Sochi. Seria um bom presságio para Leonardo?

2 comentários:

  1. Olá, Gustavo. Legal saber que o luge ainda tem atletas brasileiros pelo menos sonhando com a vaga olímpica... lembro-me bem da participação do Renato Mizoguchi e do Ricardo Raschini em 2002, vamos torcer para que a história se repita. Conheci o blog há poucos dias, mas já estou acompanhando diariamente... continue com esse bom trabalho!

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    1. Olá Leandro, muito obrigado pela visita e pelos elogios! O fascínio dos esportes de inverno aqui no Brasil é esse: sonhar com histórias "impossíveis". Essa é beleza do esporte! Abraços

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