Mudança de nome

Equipe brasileira (Divulgação/Contrapé de Jornalismo)

Está lá, em matéria do Globoesporte.com no dia 21 deste mês e saiu agora também em matéria de Bruno Freitas no UOL neste sábado, dia 23. A equipe de bobsled do Brasil, remontada neste ano e conhecida internacionalmente como Bananas Congeladas (Frozen Bananas, em inglês), quer mudar de apelido. 

Ao que consta, os novos integrantes e a direção da CBDG não gostam muito do termo por acreditarem que "banana" remete a algo folclórico e até mesmo pejorativo. Afinal de contas, chamar alguém de banana aqui no Brasil nada mais é do que xinga-lo de fraco, incompetente e covarde. 

Estão certos, convenhamos. No fim do ano passado redigi um artigo científico para uma aula de mestrado em Comunicação na Unesp-Bauru. Nele, traçava paralelos entre o filme "Jamaica Abaixo de Zero" e o bobsled brasileiro. 

Um dos pontos abordados era justamente a superação diante da descrença pública. No fundo, a primeira imagem que nos vem a cabeça é o fato dos "bananas congelados" sequer completarem descidas nos Jogos Olímpicos de 2006, a última aparição olímpica do bobsled brasileiro. Ninguém nem toca na dificuldade que é se classificar para lá. O Brasil sempre foi tratado de maneira exótica pelo próprio público brasileiro. 

O grande problema é que na imprensa internacional o apelido já pegou e quando um nome pega, dificilmente será mudado do dia para noite. É aquela velha história: quando você não gosta de um apelido, aí sim ele fica grudado em você. 

A CBDG irá realizar uma enquete nos próximos dias em sua página oficial no Facebook com algumas opções para os fãs decidirem. Acho que só isso não basta. Quando for competir, o ideal seria evitar o trenó todo amarelo que fez sucesso em 2002, nos Jogos de Salt Lake City... Tem que haver predominância do verde e azul, se de fato querem evitar comparações com banana. 

Em todo caso, este é o menor dos problemas da CBDG. O principal deles parece que já foi solucionado: a equipe está se preparando e focada na classificação olímpica. Seja como frozen bananas, seja com qualquer outro nome. 

Novidades

Mas vamos falar de novidades com relação ao time de bobsled. Neste sábado, Edson Bindilatti, Odirlei Pessoni, Fabiana Santos, Esthefânia da Costa e o técnico Cristiano Paes saem de Calgary e embarcam para Lake Placid, onde se juntarão ao restante da equipe para a fase final de preparação nesta temporada. 

Os demais integrantes saem do Brasil direto para os Estados Unidos. São eles: Jadel Gregório, Edson Martins, Célio da Silva, Cleiton Sabino e Sally da Silva.

Nesta última fase de treinamentos haverá a integração e aclimatação dos demais integrantes e terminará com a disputa na última etapa da Copa América de bobsled, lá mesmo em Lake Placid no dia 8 de março. 

A participação é de vital importância para manter vivo o sonho olímpico em Sochi-2014. Além da pontuação por ranking, é exigido das seleções que o time participe de cinco provas, em três pistas diferentes e por duas temporadas. Como a próxima já é olímpica, eles precisam competir nesta ainda.

O release distribuído pela agência Contrapé de Jornalismo traz falas inclusive do técnico Cristiano Paes. "Eles estão indo muito bem, melhorando a cada dia. Em Calgary, fizemos 22 descidas muito boas, treinando a entrada no trenó e a pilotagem, principalmente em curvas", comentou o treinador, para depois concluir. "No início, não foram muito velozes, mas agora já estão se saindo muito bem". 

Confesso que gostei da nomeação de Cristiano como técnico brasileiro. Integrante da primeira equipe olímpica do bobsled brasileiro em 2002, ele mora no Canadá desde 2004, tendo participado inclusive da equipe canadense, uma das melhores do mundo. Desde 2009 ele é treinador e preparador fisico. Resumindo: não falta experiência a ele. 

O grande problema, porém, será driblar a questão financeira. A CBDG, agora com o interventor Emílio Strapasson, conseguiu uma verba para capacetes, sapatilhas e uniformes, mas o trenó de bobsled é caríssimo. 

Através de Cristiano, o time conseguiu trenós de dois lugares para os treinos de pilotagem, mas agora, com a equipe completa, precisará de um trenó de quatro lugares. Se possível, com trenós mais modernos e rápidos. 

"Trabalhamos com o orçamento que a CBDG conseguiu. O material é bom, mas o ideal é o Brasil ter trenós mais modernos, como os que têm os times com mais recursos. É possível ser um ou dois segundos mais rápido com os modelos mais modernos e isso pode fazer diferença na briga por uma vaga. Mas a CBDG ainda precisa de patrocinador e estamos trabalhando , por enquanto, com trenós mais baratos", afirmou o treinador pelo release. 

Depois da participação em Lake Placid, os integrantes voltam ao Brasil para realizar treinos físicos, sempre coordenados por Cristiano Paes. A partir de setembro, o time volta para o Canadá para mais um período de aclimatação e treinos. Além, é claro, de entrar para valer na classificação olímpica. Boa sorte aos brasileiros nos Estados Unidos.

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